Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 02/10/2019

É de James Baldwin, escritor americano, o aforismo: “Nem tudo que enfrentamos pode ser mudado, mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”. Diante dessa perspectiva, a primeira vacina, criada no século XVIII, revolucionou as ciências da saúde, pois mostrou uma nova maneira de enfrentar as epidemias que assolam a humanidade: a prevenção delas. No Brasil, todavia, a falta de recursos para vacinas e, sobretudo, a falta de informação são os principais desafios para garantir a vacinação dos brasileiros e,assim, a erradicação de doenças perigosas no país.

Convém ressaltar, mormente, que os investimentos em saúde primária, isto é, os métodos de prevenção de doenças contribuem, significadamente, para o combate às epidemias. Prova disso foi a vacina da febre amarela erradicada no Brasil em 1960. Apesar disso demonstrar a importância de investir em vacinação, o Governo reduziu as verbas para esse setor em 2017 e, de acordo com o Ministério da Saúde, haverá mais cortes até 2020. Nesse sentido, nota-se a falha do Poder Público em garantir o direito à saúde, uma vez que a vacina fortalece o sistema imunológico do indivíduo.

Ademais, é preciso analisar o crescimento do movimento anti-vacina como reflexo da falta de informação e da propagação de fakes news. Esse movimento é antigo no Brasil, pois desde a república velha, marcada pela revolta da vacina, ficou evidente que a falta de conhecimento sobre a vacinação leva muitas pessoas a serem adeptos às notícias falsas que afirmam que a vacina mata. A consequência desse senso comum foi a volta de doenças já eliminadas no país, como sarampo e febre amarela. Observa-se, portanto, que promover vacinação a todos os brasileiros é um desafio histórico.

Destarte, fica claro a necessidade de combater os desafios mencionados para assegurar, de fato, a prevenção de doenças letais na sociedade brasileira. Para tanto, cabe a comunidade civil, com apoio de ONGs que militam nessa área, pressionar o Poder Público, por meio de manifestações públicas e em redes sociais, a aumentar os investimentos nos bancos de vacinação de todos os estados. Além disso, é imperativo que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, desenvolva campanhas contra o movimento anti-vacina por meio de propagandas em sites mais navegados, como Youtube e Facebook, e nos canais abertos de televisão. As campanhas devem apresentar o que é a vacina, como é feita e a sua relevância para o corpo humano. Espera-se com essas medidas enfrentar os desafios, a fim de mudar o cenário de vacinação do Brasil.