Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 30/09/2019

Carlos Chagas, cientista e médico sanitarista brasileiro, chegou próximo de ganhar um prêmio Nobel devido à sua descrição sobre a doença de Chagas. Todavia, apesar de sua substancial importância para a ciência brasileira, grande parcela da sociedade desconhece suas contribuições. Isso evidencia o distanciamento de parte dos indivíduos dos assuntos concernentes à área científica, e o reflexo mais atual desse desconhecimento é o aumento da popularidade dos movimentos antivacina. Nesse sentido, inseridos em um contexto de fragilidade do sistema educacional, bem como de aparente passividade do poder público, não é difícil que as “Fake News” acerca da vacinação continuem a ganhar credibilidade.

É válido explicitar, em primeiro plano, que o arcaico modelo educacional do Brasil é um fator contribuinte para a permanência desse entrave social. Isso porque, no Brasil, a proposta de ensino das escolas insiste na perspectiva de mecanização do pensamento, em detrimento estímulo à capacidade reflexiva e crítica. Tal argumento apoia-se no conceito de “Educação Bancária”, que o educador Paulo Freire define como sendo um ensino que engessa e não fomenta o questionamento. Nesse panorama, diante de uma coletividade que não é incitada a indagar, as “Fake News” de oportunistas - que promovem um desserviço à população - tomam o espaço do saber científico, angariando, assim, mais indivíduos vulneráveis e desinformados acerca da vacinação.

Convém pontuar, ainda, que o poder público tem corroborado a adesão de mais pessoas aos movimentos antivacina. Isso porque as insuficientes propagandas sobre as campanhas de vacinação e suas indispensabilidades despertam, no tecido social, a falsa sensação de erradicação das doenças e a impossibilidade de ressurgimento dessas. Nessa perspectiva, sob a ótica filosófica jusnaturalista, o Estado foi criado para assegurar o direito dos indivíduos e proporcionar coesão social. Todavia, diante da insuficiente intervenção estatal acerca desse entrave, o poder público não tem garantido o estabelecimento de uma sociedade coesa e com senso de responsabilidade coletiva.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas que combatam a desinformação aceca da vacinação. Assim, para alcançar a juventude estudantil, o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, deve inserir na Base Comum Curricular a obrigatoriedade do ensino científico, bem como a explanação, nas aulas de biologia, sobre o mecanismo de criação até a atuação das vacinas no organismo humano, com o fito de informar e combater movimentos antivacina. Além disso, essas explanações devem, também, ser transmitidas em tv aberta, numa linguagem simples, a fim de que esses conhecimentos possam ter um maior e democrático alcance. Assim, decerto, a coletividade caminhará para um futuro menos vulnerável a doenças e a “Fake News”.