Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 05/10/2019

A Revolta da Vacina consistiu em uma agitação popular contra a imposição da vacinação, motivada pela desconfiança e desinformação. Mais de um século depois do ocorrido, a propagação de fake news favorece o retorno a este cenário e, aliada à má distribuição das vacinas, proporciona a queda na cobertura de vacinação dos brasileiros.

Apesar do investimento elevado do governo em campanhas publicitárias e recursos para os postos de saúde, a epidemia de sarampo de 2019 evidencia a falta de preocupação do brasileiro quanto à doenças anteriormente erradicadas no país. Dados do Programa Nacional de Imunização apontam que, em 2016, a taxa de vacinação ficou 10% abaixo da meta estipulada pela Organização Mundial de Saúde. Assim, agrava-se o risco de contágio, que poderia ser evitado pelo caráter preventivo da vacina.

No filme franco-brasileiro “Bacurau”, os moradores desta cidade ficcional no Nordeste celebram a chegada de vacinas por intermédio de uma conterrânea que se tornou médica na capital. Fora das telas, o acesso à imunização no interior do país também é dificultado, o que indica problemas na distribuição dos investimentos. Paralelamente, a disseminação de informações falsas, como o vínculo entre vacinação e autismo, contibui para o fortalecimento do sentimento antivacina na população.

Portando, são necessárias ações para reverter a crise de imunização no Brasil. Segundo Kant, o ser humano é o que a educação faz dele, de forma que cabe ao Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, promover palestras sobre a vacinação e seus mitos nas escolas, ministradas por médicos e professores de biologia, voltadas para o público infanto-juvenil e seus pais. Este órgão, em conjunto ao Ministério do Desenvolvimento Regional, deve recalcular o abastecimento de vacinas dos postos de saúde, de acordo com a disposição geográfica e o número de habitantes nas redondezas, a fim de alcançar as populações isoladas.