Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 06/10/2019
O Programa Nacional de Imunização (PNI), instituído em 1973, foi um avanço para a saúde pública brasileira, uma vez que garantiu a administração de todas as vacinas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de forma gratuita à população. No entanto, a primeira campanha em massa registrada foi anterior a esse programa, inserido em um contexto de obrigação, com ausência de esclarecimento acerca do seu real papel, conhecida como a Revolta da Vacina, ocorrida no Rio de Janeiro no começo do século XX. Dessa forma, é preciso romper estereotipados comportamentos, a partir da análise criteriosa de informações em relação à vacinação e superar os desafios, no âmbito do Governo e da população.
Primeiramente, observa-se a esfera pública como o órgão responsável em gerir e efetivar as ferramentas necessárias para a plena cobertura vacinal, tais como: fabricação, distribuição, controle de qualidade e administração das doses aos grupos de risco. Porém, identifica-se entraves organizacionais e financeiros recorrentes nessa cadeia, que podem refletir na forma de desperdício e de desabastecimento desses imunobiológicos nas Estratégias de Saúde da Família (ESF). Logo, torna-se oportuno minimizar esses problemas para otimizar os recursos disponíveis para os usuários.
Por conseguinte, cabe enfatizar o papel da sociedade para promover a saúde pública e controlar o surgimento de doenças através da adesão ao uso de vacinas, que são medidas de profilaxia que induz uma imunização ativa e eficiente. Assim, pode-se citar a erradicação da poliomelite, bem como o controle de patologias como a hepatite B, varicela, difteria, coqueluche, dentre outras , conforme dados do Ministério da Saúde (MS). Contudo, pesquisas epidemiológicas do MS mostram declínio na porcentagem de cobertura vacinal e, como resultado, a elevação da incidência e da mortalidade de doenças controladas anteriormente, como o vírus H1N1 e a febre amarela, em 2019. Dessa maneira, é vital ratificar e esclarecer a população acerca da seguridade dessa profilaxia.
Fica claro, portanto, a existência de deficiências em atingir as metas vacinais preconizadas pela OMS. Para isso, o MS deve ampliar o controle na distribuição de vacinas para diminuir o desperdício, uma vez que a sua vida útil decresce após abertura dos frascos, dessa forma deve-se condicionar a reposição desses imunobiológicos a partir da comprovação de administração em livros de ata da Atenção Básica. Em adição, a ESF deve implantar cartão de espelhos de vacina da população adscrita, para que os Agentes Comunitários de Saúde realizem busca ativa aos ausentes, por meio de visitas domiciliares, com a finalidade de maximizar o público alvo. Em suma, percebe-se que paradigmas são enfrentados na associação de informações com ações afirmativas em detrimento da obrigatoriedade.