Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 02/10/2019

O documentário “A Vacina que Mudou o Mundo” narra, com detalhes, a difícil batalha contra a epidemia de poliomielite ocorrida na década de 1950. No entanto, apesar dos avanços alcançados na área da saúde, doenças graves, que se encontravam controladas, voltaram a assombrar as famílias brasileiras. A respeito disso, torna-se evidente a precarização dos serviços públicos de saúde, bem como a desinformação de setores da população.

Primeiramente, é importante sinalizar que o Estado e grandes corporações de saúde buscam maneiras de inviabilizarem a saúde pública, garantida pela Constituição de 1988, por considerar um empecilho para se obter maior lucro. Isso é comprovado com o corte de quatrocentos milhões de reais no Programa Nacional de Imunização para o ano de 2020 medida de Jair Bolsonaro, presidente da república. Além disso, o plano de desmonte do SUS (Sistema Único de Saúde) encontra-se em pleno vapor para que se inviabilize por completo um direito do cidadão brasileiro.

Outrossim, é válido salientar que a falta de informação pode interferir na escolha dos pais de levarem seus filhos para se vacinar. Isso afeta, sobretudo, camadas mais vulneráveis da população, que não entendem as consequências da falta de imunização. Sob esse viés, David Émile Durkheim, filósofo francês,  afirma que a sociedade é como um corpo biológico, onde as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade. Dessa forma, sem o engajamento de todas as camadas sociais, o país pode voltar a sofrer com os efeitos ocasionados por doenças graves, como o sarampo, a poliomielite e a rubéola.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que o problema seja resolvido. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve promover a melhoria do sistema público de saúde, por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização, garantindo, assim, que todas as comunidades sejam contempladas. Ademais, as prefeituras devem criar um projeto voltado para a aproximação entre as famílias e as instituições de saúde, por intermédio de dias de conscientização e oficinas culturais, com a participação de profissionais da área, a fim de elucidar as massas e conscientizar a comunidade acerca dos benefícios da vacinação infantil, haja vista que, de acordo com o sociólogo Gilberto Freyre, o ornamento da vida está na forma como um país cuida de suas crianças. A partir dessas ações, espera-se promover uma retomada dos níveis de vacinação no país, de forma que o corpo social, idealizado por Durkheim, esteja plenamente saudável.