Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 01/10/2019

Na mitologia grega, Sísifo é condenado pelos deuses do Olimpo, após a sua morte, ao rolar, com as próprias mãos, uma grande pedra até o cume de uma montanha onde uma força irresistível invalidava todo o esforço, conduzindo-a de volta ao ponto de partida. Transpassado o contexto ficcional, no Brasil contemporâneo, o inútil e infindável trabalho de Sísifo metaforiza as insuficientes políticas públicas em garantir a vacinação da população, causado, principalmente, por muitos temerem reações adversas às substâncias, que podem ser provocadas, em casos raros, pelos próprios agentes responsáveis pelas doenças e por inúmeros boatos que são encarregados pela não erradicação de algumas doenças decorrentes do desconhecimento do tema.

Primeiramente, cabe ressaltar que as vacinas são consideradas o tratamento com melhor custo-benefício em saúde pública, pois é muito melhor e mais fácil prevenir uma enfermidade do que tratá-la. Contata-se que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil é uma referência internacional de política pública de saúde. Porém, o receio das pessoas quanto a seguridade das vacinas é um problema, visto que, em alguns casos, causa reações como febre, dor em torno do local da aplicação e dores musculares; indivíduos com imunodeficiência estão sujeitos a esse problema. Com a diminuição dos riscos de transmissão de algumas doenças, as pessoas passam a se preocupar mais com notícias equivocadas do que com a importância da vacinação.

Ademais, é evidente que contestações a vacinas existem desde que as primeiras campanhas foram organizadas. No Rio de Janeiro, em 1906, o Estado lançou uma campanha de vacinação obrigatória para combater a varíola. O projeto, no entanto, foi aplicado de forma autoritária, com pouca informação dada à população, agentes sanitários invadiram casas e vacinaram pessoas à força, provocando uma reação popular, conhecida como a “Revolta da Vacina”. Boa parte da sociedade não sabia do que se tratava a substância e temia ser infectado pelo vírus da doença por meio da injeção. Todavia, o acesso à informação ainda se encontra fragmentado em virtude da falta de informatização dos processos.

Destarte, é indiscutível que há entraves para garantir a vacinação dos brasileiros e que precisam ser solucionados. Assim, o Ministério da Saúde- encarregado pelas condutas da saúde no Brasil- deve promover palestras nos bairros, ministradas por estudantes de medicina, com conteúdos relacionados à reação da vacina no organismo para que a população não deixe de se vacinar. Além disso, o Ministério da Educação- responsável pelas diretrizes do ensino no Brasil- pode elaborar, por meio das escolas, projetos com a matéria de biologia para explicar os processos da vacinação e como o vírus Com tais implementações, o problema poderá ser uma mazela passada na História brasileira.