Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 04/10/2019

A segunda geração do Romantismo brasileiro ficou conhecida como período do “mal do século”, pois vários autores foram afetados pela tuberculose, enfermidade a qual, à época, era incurável. Com o advento dos meios profiláticos, essa problemática, aos poucos, foi sendo superada. Nesse sentido, embora esteja clara a imprescindibilidade da vacinação para o bem-estar social, na contemporaneidade, nota-se uma aversão populacional à sua utilização. Essa realidade é preocupante, logo, com o intuito de revertê-la, fatores como a falta de políticas públicas eficazes e a acomodação de muitos cidadãos devem ser colocados em pauta. A princípio, destaca-se a inércia estatal perante os desafios desse contexto. Assim, apesar dos avanços tecnológicos advindos Revoluções Industriais terem trazido diversos benefícios para a sociedade, eles também facilitaram a propagação de notícias falsas, inclusive relacionadas à saúde. A partir disso, seria correto esperar uma maior veemência nas posturas do Governo para conter esse problema, como campanhas de combate às fake news em redes hospitalares, entretanto, na prática, isso não ocorre. Tal cenário corrobora o raciocínio do pensador Zygmunt Bauman, o qual afirma que, nos dias atuais, mesmo tendo perdido as suas funções sociais, determinadas instituições tendem a manter-se a qualquer custo. Isso é caótico, afinal os órgãos que deveriam zelar pelo equilíbrio social, como o Ministério da Saúde, por não cumprirem corretamente o seu papel, tendem a expor a população a inúmeras mazelas patológicas. Ademais, outro aspecto que urge ser averiguado é a inação diante dessa conjuntura. Consoante à socióloga Hannah Arendt, a banalização de um revés não significa resolvê-lo, mas sim uma grande tendência de ele se intensificar. Sob essa perspectiva, observa-se que, devido a muitas doenças terem sido minimizadas ainda no século XIX, como a Varíola e a Poliomielite, grande parte da geração contemporânea opta por não se vacinar, alegando uma baixa probabilidade de ser afetada pelas patologias. Além de ser perigoso, esse comportamento diminui os efeitos das campanhas de vacinação e se contrapõe aos preceitos liberais da Constituição, uma vez que a liberdade de um cidadão não deve se sobrepor a do outro. Dessa forma, ao negligenciar os métodos preventivos, o indivíduo assume o risco de se contaminar e, consequentemente, disseminar a enfermidade.

Fica evidente, portanto, que para melhorar a questão da saúde no Brasil, mediações são necessárias. Logo, é preciso que as prefeituras, em parceria com médicos e psicólogos, desenvolvam seminários quinzenais sobre a relevância da proteção contra as doenças e sobre a desconstrução de informações duvidosas a respeito dessa temática nos principais centros sociais dos municípios brasileiros, e de forma que engaje a maior parcela da comunidade na iniciativa. Outrossim, é necessário que a sociedade, juntamente com o apoio do Estado, por meio de pesquisas e da participação em palestras com o tema da saúde, busque se informar sobre a importância da vacinação tanto para o bem individual, quanto para o coletivo, e desenvolva uma percepção crítica diante desse tipo de cenário. Dessarte, a coletividade será integralmente beneficiada, e os obstáculos, paulatinamente, ultrapassados.