Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 01/10/2019

Em 1904, Oswaldo Cruz, médico sanitarista, junto do governo brasileiro, realizou uma campanha de va-cinação obrigatória contra o vírus fatal da varíola. No entanto, grande parte da população, desinformada dos efeitos benéficos da vacina, levantou falsas suspeitas sobre a mesma, defendendo que a medi-cação servia para “matar os pobres” e negando-se a tomá-la. Assim iniciou-se o conflito famoso pela ignorância tupiniquim: Revolta da Vacina. Infelizmente, 114 anos após o ocorrido, ainda há quem duvide da importância da vacinação ou não invista nela, criando assim, um desafio. Por conta disso, tem de ser lembrada, todos os dias, sua eficácia em prevenir e erradicar doenças, além de reduzir a mortalidade.

Se não fosse a prevenção que as vacinas oferecem, os leitos hospitalares estariam ainda mais lotados. Como já afirmara o renomado médico, Dráuzio Varella, a vacinação é a maior aliada da saúde. A com-provação disso se dá no fato de, atualmente, inúmeras baixas em hospitais serem evitadas, muitas pessoas chegarem a vida adulta sem a infertilidade da caxumba, outras sem terem tido dengue ou tétano e hepatite A. Tudo isso por conta da preventiva vacinação, que também tem o poder de erradicar as mazelas, assim como ocorreu com a varíola e a poliomelite no Brasil.

A vacina possui a função de incitar o corpo humano a produzir anticorpos que o protegerá de deter-minadas doenças. Percebe-se que ela tem desempenhado seu papel com maestria, visto que já não é mais comum haver mortes por doenças que, hoje, graças a ela, consideramos “fracas”. Até o século passado alguns tipos de gripe eram fatais. Também não é comum ocorrer mortes por doenças que a pessoa já tenha sido vacinada. Segundo a Unicef, a partir do aprimoramento do calendário de vacinação do SUS, em 2002, a taxa de mortalidade infantil caiu cerca de 40%. Isso mostra o quão necessário é investir nessa área, pois recursos destinados à vacinação são recursos para a vida.

O artigo 196 da Constituição Federal assegura que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Logo, cabe a ele vencer os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros, através de investimentos na educação, em campanhas midiáticas e na própria área da saúde. Visto que a principal inimiga da vacinação é a ignorância, as aulas de biologia devem, sobretudo, esclarecer o que é fato e o que é mito, às crianças e aos adolescentes, afastando informações errôneas sobre a medicação. As cam-panhas de vacinação, que já circulam em algumas mídias, devem ganhar maior visibilidade, adentrando não só os consultórios médicos e hospitais, mas todos locais públicos, a fim de informar os adultos e idosos também. Ademais, um maior espaço televisivo também é importante para mostrar quanto o governo tem investido nessa área, que não pode sofrer com cortes e má administração. Somente investindo em saúde e bem informados, nos livraremos da fama de “ignorantes” adquirida em 1904.