Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 05/10/2019

A diferença entre endemias e epidemias é, basicamente, quantitativa. Em síntese, principalmente em países tropicais, como o Brasil, uma parcela significativa das doenças são endêmicas, ou seja, naturais do ambiente, e possuem uma taxa de incidência prevista como normal. Porém, há momentos - evidentes na história do país - em que ocorrem surtos - por exemplo a meningite meningocócica nos anos 70 - expondo a demasiada importância das vacinas para o controle da saúde. Em contrapartida, novas epidemias estão iminentes pela frequente falta de cuidado, tanto por parte do Estado, quanto da população.

Primeiramente, mesmo com o trabalho do Ministério da Saúde, investindo 53,6 milhões de reais, em 2017, para campanhas publicitárias, carecem de atenção financeira muitos municípios pequenos. A medida que se analisa casa vez mais cidades interioranas, nota-se o abandono do Estado, tal que os postos de saúde em sua maioria, apresentam baixo estoque de vacinas, e ainda nos piores casos, a inexistência delas. Desse modo, pela falta de imunização, evidentemente esses locais configuram berços para a procriação de patógenos com potencial alastrante.

Outro fator preponderante, é a crescente disseminação de discurso ideológicos “anti-vacinas”, programados para atingir mais facilmente as classes com menos escolaridade e de fácil persuasão. Analogamente, o Brasil, já viveu um momento parecido na Revolta da Vacinas, em 1904, no qual, pela falta de divulgação de informações e sensibilidade com a população, houve uma intensa resistência à vacina. Atualmente, por conta das “erradicações”  conquistadas nas décadas passadas, as doenças foram esquecidas,  e somado esse aspecto com os novos discursos, foi colocada uma máscara de vilã na vacina, dificultando sua aplicação.

Portanto, a importância da imunização deve ser restabelecida, para aumentar a cobertura e , assim, garantir a saúde dos cidadãos. Para tal, além de um maior investimento do Ministério da Saúde em prefeituras pequenas, para disponibilizar recursos a todos, é de suma relevância a utilização contínua da mídia - por meio de comerciais no horário nobre e mensagens dentro dos programas - para combater as ideologias prepotentes, atingindo o público mais popular, e, assim, mantendo as epidemias apenas como parte da história passada.