Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 06/10/2019

Na antiguidade, o filósofo grego Platão afirmava que o importante não é viver, mas sim viver com qualidade. Essa condição de vida qualitativa e sadia é constantemente ameaçada no Brasil pelos desafios da vacinação contemporânea, consequência do movimento anti-vacina que cresce exponencialmente pela disfuncionalidade do conhecimento a respeito dessa prática e também pelo regresso ou falta de estruturação necessária para a realização das vacinações com eficiência.

Em primeiro lugar, ressalta-se a ação da internet como propagadora da aversão à vacina. As famigeradas fake news (notícias falsas, no inglês) funcionam como o verdadeiro agente infeccioso informacional, disseminando informações sem base verídica que contribuem para o crescimento dos grupos não adeptos a qualquer tipo de vacinação, concentrados especialmente em redes  sociais como o Facebook. A falta de conhecimento na problemática se afirma na ignorância associada ao desamparo social, pois as campanhas de vacinação perderam o medo dos surtos patológicos, antes mais ocorrentes, como principal aliado no combate às doenças.

Em segundo lugar, a resistência à vacinação foi listada pela Organização Mundial da Saúde como uma das principais ameaças à saúde global em 2019. Não só, parte dessa resistência é resultado de uma cultura de abandono governamental nesse quesito, pois com o recebimento dos certificados de erradicação de doenças, a estrutura de suporte da vacina decresceu nacionalmente. Deste modo, segundo dados do Programa Nacional de Imunização, a taxa de cobertura de proteção contra a poliomielite em 2016 foi a menor em 12 anos, fator comprobatório na necessidade de uma maior atenção e disponibilidade estatal de investir e criar programas mais abrangentes de imunização.

Logo, urge que a sociedade brasileira, junto a órgãos como o SUS, o Ministério da Saúde, e as unidades de saúde em instância municipal trabalhem para desestabilizar a cultura da anti-vacina por meio do aumento da oferta informacional. Não apenas, a escola deve agir como agente esclarecedor de dúvidas trazidas pelos pais, além de garantir a matrícula escolar apenas com apresentação da carteira de vacinação atualizada conforme o calendário nacional, a fim de fomentar a procura pela proteção para os alunos. Assim, o Brasil pode desfrutar de uma população menos suscetível à doenças que podem ser prevenidas, para então garantir o bem-estar cidadão para os filhos de sua pátria.