Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 07/10/2019

“É necessário fazer uma análise histórica para a realização da compreensão de um povo”. Ao analisar a observação do antropólogo Franz Boas, infere-se que, na contemporaneidade brasileira, ao analisá-la por um prisma evolutivo, infortúnios relacionados aos desafios para garantir a vacinação são vigentes. Com isso, surge essa problemática que persiste intrinsecamente na realidade do país, devido a fatores como inoperância estatal e falta de mobilização social.

Em primeiro plano, a omissão do Estado permite os constantes casos de empecilhos sociais. Nesse sentido, segundo o filósofo contratualista Jonh Locke, o Estado é o agente responsável por manter o bem-estar gregário de todos. De maneira análoga, percebe-se que a realidade brasileira vai de encontro ao pensador inglês, pois depreende-se que ações políticas voltadas para investir em programas de imunização são ínfimas. Isso contribui, inegavelmente, a uma suscetibilidade do corpo civil às variedades de doenças, devido a uma má distribuição de campanhas de vacinação. Logo, a atuação do Estado torna-se imprescindível para a erradicação desse hiato.

Outrossim, vale destacar, ainda, a conduta social como uma das causas do problema em questão. Nesse viés, de acordo com a Teoria do Habitus, desenvolvida pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz comportamentos ao longo do tempo, haja vista o pensamento cultural disseminado pelo Movimento Antivacina, o qual tem sua origem nos Estados Unidos, de que não é preciso se vacinar, seja pelo fato da doença já ter sido erradicada ou, em razão, da vacina provocar malefícios a determinados organismos, e, isso, se alastra, uma vez que a mídia, divulgadora informacional, não transmite propagandas essenciais de alerta sobre notícias falsas na saúde. Dessa forma, ocorrem situações preocupantes como a recusa ao ato de vacinação e ocasiona, lamentavelmente, no retorno de enfermidades antigas, por exemplo, varíola e sarampo. Assim, é necessária uma mudança comportamental da sociedade para amenizar esse impasse.

É evidente, portanto, que as situações supracitadas rompem com a harmonia social. Em decorrência disso, o governo, por meio do Ministério da Saúde, que tem a função de desenvolver projetos sobre o tema, deve investir mais na ampliação do número de campanhas esclarecedoras, nas redes sociais, acerca dos procedimentos realizados para a vacinação, a fim de distribuí-la adequadamente. Já a escola, instituição que socializa o conhecimento, junto com a mídia, mediante palestras interativas, devem desmistificar ideologias falsas, com o intuito de promover uma cultura de cidadãos com hábitos racionais que minimizem a problemática. A partir de atitudes como essas, a vacinação garantida tornar-se-á vigente.