Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/10/2019
De acordo com o ideário aristotélico, não é o debate que configura empecilho à ação, mas o fato de não estabelecê-lo antes de chegar o momento de agir. Nessa perspectiva, os vocábulos do filósofo demonstram o caminho para equilibrar a coletividade. Entretanto, o atual declínio na cobertura de vacinação brasileira sinaliza que há falhas nas políticas de saúde brasileira, fato que desconstrói a capacidade transformadora desse medicamento. Assim, faz-se necessário analisar fatores estruturais e culturais, a fim de garantir, de fato, qualidade de vida no cenário hodierno.
Em primeira análise, essa condição recai sobre o papel do Estado. Apesar de o Brasil ser referencia mundial em imunização, irregularidades como a falta de infraestrutura nos postos de saúde, falta de profissionais, bem como dificuldade de acesso, corroboram para a falta de confiança da população nesse sistema. Consequentemente, seis em cada dez brasileiros afirmam ter receio de frequentar esses espaços, como mencionado em uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha. Dessa maneira, essa conjuntura constitui um obstáculo na prevenção de doenças como o sarampo, por exemplo.
Ademais, outro atenuante se dá no âmbito informativo. Isso porque a busca por instrução na internet é um hábito comum na atualidade. Nesse sentido, pesquisas em fontes não confiáveis podem gerar a percepção equivocada de que a vacina é maléfica para o organismo, o que tende a favorecer o surgimento de movimentos contrários, a exemplo da discussão acerca da tríplice viral, a qual foi relacionada, erroneamente, ao autismo. Dessa forma, os pais têm deixado gradualmente de vacinar os filhos, fato que, além de prejudicar a criança, deturpa o principal mecanismo de prevenção contra enfermidades de rápido contágio.
Infere-se, portanto, que a efetiva cobertura da vacinação enfrenta adversidades no Brasil. Logo, para modificar essa realidade, é fundamental que o Ministério da Saúde promova campanhas não só de divulgação de calendários, mas também de informação, com o fito de conscientizar os pais a levarem os filhos para serem imunizados. É fundamental, ainda, que os próprios adultos sejam incentivados a filtrar as notícias que circulam nas redes sociais, por intermédio de um portal do próprio governo, o qual deve sanar as dúvidas acerca do tema. A partir disso, tornar-se-á possível seguir o caminho defendido por Aristóteles, com a finalidade de assegurar a saúde em todo o território nacional.