Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 02/10/2019

Omolu, personagem da obra Capitães de Areia, contraiu uma doença que já possuía vacinação em sua cidade. Porém, devido à sua condição financeira, não obteve acesso à proteção. Analogamente, fora da literatura, inúmeros indivíduos desenvolvem moléstias que já possuem imunização ativa, contudo, diferente do que foi exposto por Jorge Amado, há na atualidade uma resistência à vacinação por parte da população. Isso não se evidência apenas pelo aumento da reincidência de doenças, como também pelo fato das campanhas não puderem obrigar o indivíduo a se imunizar.

Em uma primeira análise, nota-se um recente aumento de doenças que já haviam sido combatidas por programas do governo. Nessa perspectiva, há um retrocesso na saúde pública, o que gera impactos para todos os cidadãos, sendo assim, eles ficam reféns de uma maior circulação dos antígenos da doença. Um exemplo desse caso é o reaparecimento do Sarampo, houve um crescimento exponencial dos casos clínicos no Brasil, o que demonstra a ineficiência da atual gestão da saúde e oferta de vacinas, as quais não estimulam adequadamente o indivíduo a se vacinar. Dessa forma, a falta de incentivo à imunização ativa e programas governamentais eficientes mostram-se como obstáculos da problemática no país, resultando num maior fluxo dos agentes causadores da moléstia pelas cidades.

Ademais, vale ainda ressaltar que não se pode forçar a população a receber a picada com os antígenos atenuados para estimular a produção de anticorpos que venham a combater a doença. Nesse cenário, há o desafio de se convencer a população da importância da imunização, uma vez que por mais que se trate de uma questão de saúde pública, o Estado democrático não pode forçar o indivíduo a obedecer suas ordens repressivas. Nesse panorama, a revolta da vacina, que ocorreu em 1904, serve para mostrar as consequências negativas do autoritarismo Estatal, haja vista a forte revolta social que a campanha sanitarista de Oswald Cruz causou na população ao se transformar a vacinação em obrigatória. Logo, é necessário buscar medidas democráticas para universalizar a vacinação no Brasil.

Torna-se evidente, portanto, que inúmeros são os impecilhos para garantir a vacinação dos brasileiros. Para reverter esse quadro, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com as grandes emissoras televisivas locais, faça a elaboração de novos vídeos que visem estimular a vacinação, através da demonstração da importância da prática e as consequências de sua negligência, para mobilizar os cidadãos. Além disso, como forma de incentivo, o governo pode ainda oferecer desconto em atividades culturais, para que assim haja o estímulo à vacinação sem obrigar os indivíduos, o que representaria um ganho para a saúde pública e a cultura . Dessa maneira, construir-se-à uma sociedade em que de fato não existam obstáculos para imunização ativa e ela se torne universal como queria Jorge Amado.