Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 02/10/2019

No início do período republicano, a capital brasileira estava em uma situação precária tanto em infraestrutura quanto em disseminação de doenças. Por isso, o presidente do país realizou diversas obras e convocou um médico para solucionar o caos que a cidade do Rio de Janeiro se encontrava. O médico colocou em prática uma campanha de vacinação obrigatória que culminou na Revolta da Vacina, pois a vacinação era, na maioria das vezes, autoritária e violenta, assim como, faltavam informações sobre e, portanto, o medo pairava sobre a população. Nos dias atuais, há abundância de informação e inúmeras campanhas publicitárias sobre a importância desse ato para todas as idades e, mesmo assim, são encontrados déficits de vacinação na sociedade brasileira, sendo índices extremamente perigosos.

Pesquisas do jornal virtual da BBC mostram que, desde 2013, há uma queda constante na vacinação de sarampo, caxumba e rubéola, por exemplo, o que acarreta a criação de bolsões de pessoas suscetíveis a doenças antigas, mas fatais. Uma das explicações para o decréscimo das vacinações é o desabastecimento de vacinas essenciais, municípios com menos recursos para gerir programas de imunização. Sendo assim, a população tem a informação, mas não tem as ferramentas para se imunizar de doenças, criando possíveis casos de epidemia, por exemplo.

Outra explicação para esses dados é a recusa dos pais para vacinar seus filhos, muitas das vezes por conta da disseminação de fake news, como por exemplo, a mensagem de voz compartilhada em uma rede social que mostra a entrevista de uma suposta médica falando que a vacinação trazia riscos para as crianças, ou até mesmo para o feto, de desenvolver Síndrome de Down. Além disso, a perda do medo da população em relação as doenças é crescente; por não ser mais um caso recorrente nas mídias ou até mesmo nos hospitais no cotidiano da sociedade, muitas pessoas pensam que as doenças, de certa forma, já foram extintas e erradicadas, que não há mais riscos.

Deve-se constatar, portanto, que os dados são preocupantes, pois a sociedade brasileira está negligenciando a vacinação, não por falta de informação, pois o Ministério da Saúde divulgou em nota que está constantemente alertando sobre os riscos, mas a principal preocupação são as crianças de menos de cinco anos de idade que não são vacinadas por decisão de seus pais. Sendo assim, é importante que, por meio do poder público, como por exemplo o próprio Ministério, seja avaliado e discutido a criação de uma lei de obrigatoriedade da vacinação, assim como é necessário que a criança esteja matriculada e tenha presença nas salas de aula de escolas, deve-se cobrar do mesmo jeito, com multas e notificações, o preenchimento da cartela de vacinação infantil.