Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 03/10/2019

O Brasil é um dos países de maior sucesso no combate a doenças preveníveis, graças à atenção dada para a vacinação, oferecida a todos. No entanto, esse esforço do Sistema Único de Saúde (SUS), nos últimos anos, enfrenta desafios: a desinformação quanto à necessidade da imunização, queda da mobilização promovida pela Saúde e do seu efeito, os problemas de gestão e na relação do SUS com a comunidade provocam menor cobertura de vacinação.

Em primeiro lugar, o século XX é marcado por descobertas científicas na área da saúde, como a da vacina contra o sarampo, fator que contribuiu para o crescimento do bem-estar e  da expectativa de vida mundial. Apesar disso, a falta de informação e o empirismo dificultam a atuação da ciência, dessa forma, grupos antivacina cresceram nos últimos meses e, além de outros fatores, levaram ao atual surto de sarampo, doença declarada não endêmica no Brasil, em 2016. Por isso, é fundamental a comunicação clara entre o meio científico e o povo, aspecto não visto durante a Revolta da Vacina promovida no Rio de Janeiro em 1904, na qual pretendia-se combater a varíola, mas a maioria não compreendia aquele processo de prevenção da doença, determinado pelo sanitarista Oswaldo Cruz.

Em segundo lugar, o âmbito da saúde e seus estabelecimentos têm grande potencial de promover a educação e, nesse sentido a Promoção de Saúde, conceito que valoriza o paciente como ator do seu processo de saúde, é essencial. Ademais, a falta de uma atenção humanizada para com a comunidade, acaba afastando esta da adesão às campanhas de imunização. Também influi na cobertura da prevenção às doenças a gestão em saúde, primordial na garantia do abastecimento dos postos com as vacinas.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Com esse fim, o Ministério da Saúde (MS), por meio da Política Nacional de Imunização e Política Nacional de Promoção da Saúde, deve promover oficinas a respeito das doenças passíveis de prevenção e da vacinação junto às comunidades, após identificar, nas bases de dados nacionais, os locais com as menores taxa de cobertura vacinal. Para isso, profissionais da área, como médicos e enfermeiros, serão capacitados pelo MS a ministrarem cursos básicos nos próprios espaços das regiões definidas, levando informações de forma simples e considerando as vivências dos benefiados. Assim, estes poderão atuar nos próprios determinantes de saúde e, a médio prazo, contribuir para a garantia da vacinação a mais pessoas.