Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 03/10/2019

Na década de noventa, no Rio de Janeiro, o governo realizou reformas na saúde pública e efetivou medidas sanitárias nos centros urbanos. Na mesma época, foi promulgada a Lei da Vacinação Obrigatória para a população. Contudo, a falta de conhecimento acerca da importância da imunização artificial catalisou uma revolta de resistência à vacina. Nos dias atuais, governos e autoridades ainda lutam contra a falta de informação e de integração entre as unidades de saúde responsáveis pela garantia da vacinação gratuita e de qualidade, fatores que somados ocasionam reincidências de doenças infecto-contagiosas no país.

Em uma primeira análise, a circulação de informações sem fundamentos científicos é acelerada com o uso das redes sociais e da internet. Ainda que haja um fluxo de atualizações e notícias confiáveis acerca das inovações na área da saúde, os boatos e o senso comum são grandes vilões contemporâneos. Prova disso é a diminuição alarmante no número de vacinados contra a poliomielite no ano de 2015, deixando a cobertura nacional anual abaixo da meta estipulada, segundo o Ministério da Saúde.

Ademais, a manutenção da infraestrutura das unidades de saúde é imprescindível na garantia do acompanhamento e comunicação entre agentes da saúde e comunidades. Estima-se que o investimento em saúde pública no Brasil está três vezes abaixo da faixa ideal de assistência eficiente e de qualidade. Tal realidade tem reflexo direto na garantia de acessibilidade e da promoção de campanhas de incentivo à vacinação gratuita, conjectura essa que afasta e desestimula a população na busca por tais serviços.

Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde aja de maneira incisiva na realidade da vacinação pública brasileira. Para tanto, a difusão de conhecimentos científicos e o combate às notícias falsas devem ser prioridade para tal ministério, amparado pelo Governo Federal. Cita-se como exemplo de promoção da familiarização com a procedência das vacinas que são disponibilizadas, a elaboração de conteúdos televisivos de caráter educacional e didático, com o intuito de formar opiniões públicas positivas. Além disso, o investimento público em saúde deve ser permanente, prioritário e crescente, visto que, a manutenção da qualidade dos serviços afeta a sociedade em diversas frentes, desde a imunização ativa até os cuidados pós contaminação. Dessa forma, serão evitadas quaisquer possibilidades de reincidências de doenças, passíveis de serem evitadas, no território nacional.