Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 07/10/2019

A vacinação é uma das maiores conquistas da humanidade, trata-se da forma mais segura de prevenir doenças infectocontagiosas, pois ela estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos e células de memória que evitam a ocorrência da doença no futuro. Nesse sentido, ela é de fundamental importância para a saúde pública e para o controle de doenças erradicadas, porém, ao invés de haver uma maior cobertura de vacinação, há na verdade uma resistência motivada pela desinformação e propagação de ‘‘fake news’’ que fortalecem os movimentos antivacinas.

A priori, o êxito das campanhas anteriores de vacinação beneficiou a nova geração de pais que não tiveram contato com os surtos de infecções virais e bacterianas antes comuns. Criou-se um cenário mítico de falsa segurança no qual as doenças não existem e por isso não há uma compreensão sobre a necessidade de imunizar as crianças. Assim, a perca do medo junto com a desinformação sobre as enfermidades prevenidas pelas vacinas causam o aumento desse comportamento negligente o qual é um risco não apenas individual, como também coletivo de que doenças consideradas erradicadas sejam reintroduzidas. Exemplo disso, segundo Ministério da Saúde, do início de 2018 até 8 de janeiro de 2019, o Brasil registrou 10.274 casos confirmados de sarampo, o que fará o país perder o certificado de país livre do sarampo, da rubéola e da rubéola congênita.

Ademais, a internet facilitou o trânsito de informações, muitas vezes sem fundo verídico e com conteúdos superficiais, que estão fazendo a pessoas, principalmente na Europa, aderirem um movimento conhecido como antivacina.  Postagens em grupos do Facebook, livros e artigos infundados associam as vacinas ao autismo, cegueira e problemas cognitivos causando medo e questionamento sobre a segurança desse tipo de imunização. Tal situação fere a lógica de Émile Durkheim o qual diz que a sociedade é como um corpo biológico, onde as partes devem interagir para garantir a coesão e igualdade. Portanto, não vacinar é uma atitude egoísta que expõe o coletivo à riscos evitáveis, uma vez que, segundo a OMS, a vacinação evita a morte de 3 milhões de pessoas todos os anos.

Destarte, vacinação é uma questão de saúde pública e possui entraves que precisam ser contidos. Assim, o Ministério da Saúde deve aumentar os investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização, cabe a mídia junto com instituições educacionais debater sobre esse tema de forma lúdica tanto nas redes sociais como nas salas de aula com participação de profissionais da área a fim de esclarecer a importância da vacina . Dessa forma, a situação será atenuada  e o corpo social, idealizado por Durkheim, voltará a estar plenamente saúdavel.