Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 05/10/2019

Apenas teoria

Um dos maiores legados, deixado pelo governo de Getúlio Vargas, foi a consolidação do Ministério da Saúde, um órgão responsável pela manutenção e preservação da saúde popular brasileira. No entanto, o moderno contexto verde-amarelo, marcado pela minimização da prática de vacinação, expõe a fragilidade da dupla sociedade civil e poder público na valorização de medidas preventivas. Com efeito, o combate à problemática pressupõe o apreço à diretrizes essenciais a uma democracia, a saber, o direito à vida.

A princípio, é fundamental salientar que a precariedade da mobilização popular, a favor de cumprir a agenda de vacinação, deve-se, sobretudo, à deficiente instrução pedagógica dos indivíduos. Nesse sentido, Paulo Freire afirma que as escolas detêm o papel social de preparar os cidadãos para conviver em harmonia, ora em público, ora no viés pessoal. Com base na tese do patrono da educação brasileira, evidencia-se que a persistência de uma sociedade, omissa de medidas profiláticas, constitui o reflexo da ineficácia de membros de autoridade, como as instituições escolares. Assim, torna claro que, enquanto a negligencia pública à saúde for regra, o progresso de um país saudável será exceção.

Ademais, o moderno contexto, de disseminação exacerbada de informações pela internet, abre margem para circulação de mecanismos de caráter duvidoso, contrários à vacinação. Nisso, o filósofo Michel Foucault interpreta como ‘‘Controle Simbólico’’ a árdua capacidade, de indivíduos e instituições, no tocante ao vínculo de informações à ideologia pessoal. Na prática, isso se repercute pelo crescimento do movimento antivacina no Brasil, impulsionado severamente pela disseminação dos novos meios informacionais, sobretudo redes sociais. Dessa forma, entende-se que a adoção de novas ferramentas, para fins contestadores à vacina, constitui um entrave para a integridade da vida.

Depreende-se, portanto, de suma importância a criação e a preservação de medidas na quais minimizem impacto causados pelos desafios à vacinação, no Brasil. Compete, assim, ao Ministério da Educação enfatizar, na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a intensificação de aulas interdisciplinares, abertas para todo o público, nas escolas, com intuito de orientar os cidadãos a estarem aptos à agenda de vacinação. Por mais, cabe à função apelativa da mídia criar peças publicitarias, em intervalos de novelas, que induzam os indivíduos a confiarem na vacinação, com o fito de estabelecer uma sociedade brasileira mais saudável. Por conseguinte, seria construído um país mais responsável com os afazeres de saúde e, logo, os ideias firmados pelo Ministério da Saúde deixariam de ser apenas teoria.