Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 05/10/2019
A Revolta da Vacina, ocorrida em 1924, foi uma rebelião popular em resposta à imposição da vacinação obrigatória dada pelo governo do Rio de Janeiro. Esse fato ocorreu pela falta de informação e de conhecimento da população sobre as vacinas e os benefícios causados por ela. Paralelo a isso, nota-se que, no contexto vigente, mesmo com a maior propagação de informações por meio da rede midiática, ainda há discussões acerca da legitimidade das vacinas, de forma que atrapalhe a efetivação da vacinação no território brasileiro. Essa realidade flageladora é fruto da propagação de informações falsas, assim como advém da negligência estatal perante a essa problemática.
Em primeiro plano, vale ressaltar que os indivíduos que são contra a vacinação procuram as redes sociais como única fonte verídica de informações, de modo que se mergulhe em informações falsas propagadas por outros indivíduos. Desse modo, tais informações são alimentadas pela ideia de que as vacinas não trazem benefícios mas sim malefícios, a exemplo: o autismo. Por conseguinte, sob a óptica de Émile Durkheim, acerca da participação social, o qual afirma que a sociedade é como um corpo biológico, no qual as partes devem interagir para garantir coesão. Partindo desse pressuposto, é indubitável que sem o engajamento de toda a população em garantir a circulação verídica de informações, o país pode voltar a sofrer com os efeitos ocasionados por doenças já erradicadas.
Ademais, nota-se a negligência estatal desde o século XX, em que a vacinação somente foi imposta mas não discutida previamente ao redor da cidade. Destarte, é importante destacar que é necessária uma educação e uma exploração prévia e constante acerca desse ato benévolo, com o intuito de não existir surpresas e revoltas contra o bem-estar comum a todos os cidadãos. Além disso, a falta de estrutura nos postos de saúde e nos hospitais comprometem a eficácia da imunização em escala nacional. Isso se explica porque, apesar de a Carta Magna de 1988 garantir o direito à saúde, a má gestão dos recursos públicos e a falta de campanhas socioeducativas dificultam o acesso à vacinação.
Evidencia-se a necessidade de unir a sociedade e o Poder Público a fim de minimizar os desafios encontrados no acesso à vacinação. Dessa forma, faz-se necessário que o Ministério da Saúde - haja vista sua importância hierárquica no bem-estar comum - promova políticas publicas socioeducativas, com o intuito de propagar informações sobre todo o processo de vacinação, por meio de campanhas em comunidade com profissionais qualificados, como enfermeiras. Assim, o governo ajudará na formação de mentes críticas e combaterá na propagação de informações falsas mediante o assunto. Em suma, revoltas como a da vacina não surgirão mais na história contemporânea, de maneira que diminua as ameaças da volta de doenças já erradicadas, garantindo um bem-estar comum a todos.