Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 06/10/2019
O Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado em 1990, ao estabelecer punições para pais que não vacinarem seus filhos, enfatiza a vacinação como um dever dos pais e do Estado. Entretanto, os índices de cobertura de vacinação de doenças antigas, como a Poliomielite, têm apresentado uma preocupante queda. Desse modo, é possível afirmar que a desinformação sobre as vacinas e a má gestão de muitos municípios são alguns dos desafios para garantia da vacinação para os brasileiros.
A priori, vale ressaltar que a falta de conhecimento sobre os efeitos da vacina é uma das causas da problemática. Conforme o poeta Cazuza afirmou, “eu vejo um museu de grandes novidades”. De maneira análoga ao pensamento do compositor, assim como inúmeros cidadãos do Rio de Janeiro iniciaram uma revolta contra a obrigatoriedade da vacina da varíola em 1904, uma vez que boa parte da população desconhecia a composição e o modo de atuação da vacina no corpo humano e era fortemente influenciada pelos diversos boatos sobre os efeitos da vacina que circulavam na cidade na época, nos dias atuais, o número de cidadãos que não têm acesso à educação básica de qualidade e, por isso, tendem a acreditar mais em informações falsas do que em médicos e se recusam a tomar vacinas persiste muito elevado, ao mesmo tempo em que o crescimento da quantidade de grupos “antivacina” é uma tendência mundial.
Ademais, é indubitável que a má gestão municipal é fator determinante para a existência do problema. De acordo com o site G1, em 67 anos, o Brasil criou mais de 3600 municípios. Contudo, uma quantidade tão alta de municípios dificulta uma administração adequada, uma vez que facilita a persistência de práticas antigas como o “coronelismo”, na qual ocorre uma troca de votos por favores e, muitas das vezes, são eleitas pessoas sem qualquer conhecimento sobre gestão pública, que iniciam projetos mal elaborados e, assim, desperdiçam muito dinheiro. Nesse sentido, a má utilização das verbas públicas descapitaliza os munícipios, que ficam sem recursos para abastecer seus postos com vacinas essenciais e para realizar programas de vacinação, o que diminui o número de salas nas quais vacinas são aplicadas e gera filas que podem levar os pais a não voltarem para imunizar seus filhos.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que as escolas de ensino fundamental e médio, por meio de verbas governamentais, realizem atividades lúdicas, com a participação dos pais, como mesas redondas que contem com a presença de médicos que demonstrem a importância das vacinas e desmitifiquem informações falsas sobre elas com a utilização de vídeos que atraiam a atenção dos alunos. Nessa lógica, o objetivo dessa ação deve ser garantir que nossos futuros adultos não sejam negligentes em relação à vacinação de nossas futuras crianças.