Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 14/10/2019

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, que é um dos melhores do mundo, conquistou ótimos resultados ao londo dos seus 44 anos de existência, como a redução da taxa de mortalidade por doenças infectoparasitárias de 45% em 1930 para 4,3 % em 2010. Contudo, na última década a taxa de vacinação tem demonstrado queda, apresentando no ano de 2016, valor abaixo da média de 95% preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse fato se deve a falta de valorização da vacinação, desabastecimento de vacinas e escassez de recursos financeiros municipais para gerir os programas de imunizações.

Apesar do sucesso do PNI brasileiro, a falta de valorização da vacinas é um processo alimentado pelo excesso de informações e superficialidade de conteúdos da era digital que, sem nenhum embasamento científico, questiona a eficácia e segurança das vacinas. Esse movimento antivacinas, chamado hesitação vacinal pela OMS, tem suas vertentes mais fortes localizadas na Europa a qual vêm sofrendo com baixas taxas de vacinação e significativos surtos de sarampo. A influência desse movimento europeu no Brasil é demonstrada pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, quando afirma que as vacinas estão culturalmente ligadas à percepção de risco a doenças. Por outro lado, a drástica redução dos casos de doenças imunopreveníveis causaram uma falsa segurança e desconhecimento dessas doenças na população brasileira.

Além do retrocesso ideológico, os mais de 1220 casos de caxumba, sarampo e rubéola registrados no Ceará e Pernambuco entre 2013 e 2015, denotam o desabastecimento de imunobiológicos e a escassez de recursos financeiros dos programas locais de imunizações. O desabastecimento de vacinas decorre da pequena produção nacional, do tempo de cultivo do ativo biológico e do rigor necessário à segurança dos indivíduos que ao menor sinal de contaminação, todo o lote é desprezado. Já, a questão orçamentária é devida a inadequação entre recursos e demanda, principalmente na atenção primária à saúde em que as unidades de saúde são mais próximas da população. Assim, os poucos recursos são direcionados para os quadros agudos em detrimento da prevenção.

Diante do exposto, é necessária uma ação conjunta do Ministério da Saúde, das instâncias de participação social do SUS e da sociedade civil organizada a fim de esclarecer e restabelecer a importância da vacinação para a sociedade com uso da televisão e mídias digitais. Outrossim, aumentar o aporte financeiro dos estados aos municípios mais carentes e com maior demanda  com fito de implementar a atenção primária aumentando o número de unidades e estendendo horário de atendimento.