Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 06/10/2019
O filósofo alemão Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “a coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões problemáticas. Tendo isso em vista, pode-se afirmar que, na contemporaneidade, os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros acentuam-se devido ao Estado falhar em garantir com inteligência o acesso à informação segura, de modo que os entraves se fortificam devido à negligencia fiscal e informacional.
De fato, há contratualmente a missão de a constituição ser cumprida por todos os governos. No entanto, podem-se perceber comportamentos omissos por parte do Estado, o qual pouco fiscaliza, por exemplo, se a cobertura vacinal infantil proposta pelo Ministério da Saúde e assegurada pela lei 8.069 do ECA é cumprida pelos pais com excelência. A exemplo do exposto, é cabível pontuar dados coletados pelo jornal O Estado de São Paulo, em 2018, no qual consta, nos últimos anos, uma redução de 12% na cobertura vacinal contra o sarampo nas cidades brasileiras. Nesse sentido, a fiscalização que cabe ao poder público, sobretudo no tangente ao correto cumprimento das leis pelos responsáveis dos infantes, se apresenta de forma parca, corroborando para a volta das taxas de mortalidade infantil.
Além disso, vale ressaltar que esse desafio é intensificado por fatores informacionais. No Rio de Janeiro do século XX, a falta de informação atrelada à insatisfação com o governo da época, culminaram em um levante popular conhecido historicamente como Revolta da Vacina. De forma irônica, após 100 anos da rebelião, o excesso de informação retoma a insatisfação e a negação pela vacinação no país. A isso, pode-se relacionar a pesquisa feita por um médico britânico no qual relaciona a ocorrência de autismo em pessoas vacinadas contra a tríplice viral. Decerto, esse pensamento tornou-se senso comum, apesar dos esforços dos cientistas para refutar essa ideia, configurando-se como fator de risco para a retomada de doenças já erradicadas.
Portanto, é mister que o Estado tome providência para amenizar os desafios da vacinação no país. A fim de garantir que os pais cumpram rigorosamente o artigo assegurado pelo ECA, o Governo Federal, juntamente as escolas, devem efetivar uma nova lei que exige a carteira de vacinação infantil no ato de matrícula. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, a criação de campanhas impactantes em redes sociais e canais abertos de televisão, que mostrem os efeitos nocivos da negligência vacinal, trazendo médicos que auxiliem a população a buscar postos de saúde perto de suas residências. Assim, o Brasil será capaz de alçar o voo proposto por Hegel.