Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 07/10/2019

Durante a primeira metade do século XX, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, a falta de acesso à informação incitou a população carioca a protagonizar um movimento contrário ao sancionamento da Lei da Vacinação Obrigatória. As motivações que estimularam a Revolta da Vacina, somadas à escassez de recursos materiais e financeiros, entretanto, ainda suscitam problemas na saúde pública brasileira. Nesse sentido, deve haver um amadurecimento da sociedade civil quanto aos benefícios oriundos de campanhas de imunização promovidas por órgãos governamentais.

Em primeira instância, o ceticismo e a persistência de noções equivocadas acerca da vacinação circundam, ainda hoje, o ideário de uma parcela significativa de brasileiros. Verifica-se, atualmente, o crescimento do número de páginas e perfis em redes sociais destinados a fortalecer o movimento “antivacina”, que, apoiados em supostos efeitos colaterais, divulgam reportagens e posts de blogs, sem embasamento científico, a respeito de problemas provenientes da imunização. Isso explica, dentre outros fatores, os baixos índices de coberturas vacinais de bebês e crianças em 2017, incapazes de atingir as metas previstas pelo Ministério da Saúde, de acordo com levantamento do PNI (Plano Nacional de Imunizações).

Outrossim, há, em alguns municípios brasileiros, uma carência de recursos financeiros e materiais destinados ao controle de epidemias e surtos de doenças. O desabastecimento de vacinas e a falta de fundos para gerir programas de imunização em postos e hospitais públicos do país ameaçam a saúde da população. Em alguns estados do Nordeste, por exemplo, como em Pernambuco e no Ceará, a queda no número de habitantes protegidos imunologicamente contra o sarampo causou, entre 2013 e 2015, o aumento no percentual de indivíduos acometidos pela enfermidade, segundo dados do site BBC Brasil.

É evidente, portanto, a necessidade de minimizar os desafios que impedem a popularização da vacina no território nacional. As Secretarias de Saúde devem promover, nos municípios do país, palestras e programas de conscientização acerca dos benefícios e da necessidade de garantir a imunização desde a infância, que contem com a participação civil, de forma a sanar possíveis dúvidas e instruir a população. Ademais, o Ministério da Saúde deve assegurar a promoção de campanhas de vacinação em postos e hospitais públicos, a partir da disponibilização de recursos financeiros e materiais às prefeituras, a fim de asseverar proteção imunológica aos cidadãos brasileiros. Assim, verificada a ação conjunta entre governo e sociedade, haverá a supressão de alguns impasses que prejudicam a saúde pública no Brasil.