Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 08/10/2019
No ano de 1796 o médico inglês Edward Jenner realizou a primeira aplicação bem sucedida de uma vacina. Desde então, esse método foi disseminado ao redor do mundo para prevenir e erradicar diversas infecções que matavam milhões de pessoas pelo mundo. Entretanto, recentemente no Brasil está havendo uma queda no número de pessoas vacinadas e, por conseguinte, o retorno dessas doenças, ora em função da disseminação de notícias falsas, ora devido ao desconhecimento de uma parcela da população acerca delas.
Em primeiro lugar, é notável que a diminuição na cobertura vacinal é fruto da maior circulação de boatos e fake news na nova era digital. Um estudo divulgado em 2018 na revista Science mostrou que notícias falsas se propagam 70% mais rápido que as verdadeiras e alcançam muito mais gente. Dessa forma, teses como a do médico inglês Andrew Wakefield, publicada na revista The Lancet em 1998 e já desmentida no meio científico, a qual diz que a imunização tríplice viral causa autismo, circulam com facilidade em meios de comunicação como as redes sociais.
Em segundo lugar, é importante destacar que o decrescimento no número de vacinados deriva também da ignorância de parte da população a respeito de doenças já erradicadas no país, tanto por não ter convivido com elas, devido ao sucesso do Programa Nacional de Imunização (PNI), quanto pela falta de acesso à informação pela parcela menos escolarizada. Tais fatores fazem com que essas pessoas não vacinem seus filhos e causem a volta de surtos como o do Sarampo, que havia sido erradicado em 2016.
Portanto, a fim de aumentar a cobertura vacinal e de evitar o retorno dessas infecções, o Ministério da Saúde deve fazer campanhas de forte impacto visual nas redes socais, através da divulgação de fotos e vídeos apresentando os sintomas das doenças incluídas no PNI, para que a população conheça as consequências da não imunização e cumpra seu dever constitucional de preservação da saúde coletiva.