Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 07/10/2019
No ano de 1904, os governos estadual e federal iniciaram, em conjunto com o médico Oswaldo Cruz, um processo de urbanização e de saneamento da cidade do Rio de Janeiro, na tentativa de combater o surto de varíola da época. Dentre as medidas adotadas, a de maior impacto foi a Lei de Vacinação Obrigatória; contudo, tal obrigatoriedade não veio acompanhada de informações devidas sobre o projeto, ocasionando a insatisfação popular, que ficou conhecida como Revolta da Vacina. Na contemporaneidade, observa-se um decréscimo da cobertura vacinal ainda em razão da desinformação, assim como da má gestão de recursos públicos.
Em primeiro lugar, o número de doses aplicadas na população decresceram, nos últimos anos, devido à menor percepção de risco quanto às doenças passíveis de imunização. Nessa questão, o principal fator para o decréscimo é a disseminação de notícias falsas, por meio dos principais veículos de comunicação, em relação à eficácia das vacinas e à possíveis complicações posteriores à aplicação. Com isso, como afirma a Organização Mundial da Saúde, a cobertura vacinal para diversas patologias está abaixo de 50%, ainda que a Sociedade Brasileira de Imunizações defenda uma taxa de imunização de 95% do público-alvo.
Ademais, o desvio de verba para as campanhas de vacinação corrobora com os horários limitados de funcionamento de postos de saúde, resultando no menor alcance dos projetos de prevenção. Nesse contexto, ainda que sejam divulgados as datas para as aplicações nos postos de saúde, por meio de painéis de rua e cartazes, a quantidade de vacinas disponíveis não condiz com o número de cidadãos atendidos diariamente pelas unidades, além de muitos estarem em período laboral ou escolar nos períodos estabelecidos. Dessa forma, há um grave desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê a obrigatoriedade da vacinação.
Por conseguinte, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com os diferentes meios de comunicação, realize anúncios publicitários e palestras que expliquem às famílias, de modo nítido e direto, a importância das vacinas e quais os benefícios trazidos com as aplicações destas. Assim, será garantida a maior voluntariedade da população na erradicação de patologias. Além disso, o Poder Judiciário deve fiscalizar o encaminhamento das verbas destinadas às campanhas de imunização, por meio de denúncias dos funcionários públicos e cidadãos, realizadas através de telefones e redes sociais. Desse modo, haverá o aumento do número de doses disponíveis aos indivíduos nos postos de saúde. Também é necessária a mudança dos horários de aplicação, por meio de pesquisas diretas com o público, de modo a atender a demanda popular e impactando positivamente na adesão à vacinação.