Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 09/10/2019

O início do século XX foi marcado por inúmeras reformas e leis sendo, uma delas, imposta pelo médico Oswaldo Cruz com o intuito de combater a varíola através da vacinação obrigatória. A população da época, no entanto, não aceitou por desconhecerem o método de imunização, resultando na ‘‘Revolta da Vacina".Contemporaneamente, embora alguns “tabus” sejam quebrados e os indivíduos passem a se prevenir de modo espontâneo,ainda é notória a desconfiança e, com isso, o crescimento do movimento antivacina que juntamente à falta de investimentos na área da saúde,contribuem para uma problemática caótica no Brasil.Dessa forma, compreender os fundamentos para a perpetuação desse panorama mostra-se indubitavelmente necessário.

Em uma primeira análise, sob uma ótica social, o movimento antivacina surge,segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), através da falta de confiança, complacência e dificuldades no acesso à vacinação.Nesse sentido,em um artigo publicado em 2017 na Folha de São Paulo, o sociólogo da USP, Gaspar Netto aponta que todos os anos, 1,5 milhões de crianças em todo o mundo morrem de doenças que podem ser evitadas com vacinas e os chamados “anti-vaxxers” contribuem para isso. Desse modo, decorrente dessa problemática, a sociedade torna-se vítima da cultura do medo da vacinação e a falta de confiança no Governo e suas instituições de saúde.

Ademais, em uma segunda análise, a falta de investimento na área da saúde tem como consequência o desabastecimento de vacinas essenciais nos postos de saúde e a escassez de recursos municipais para a gestão de programas de vacinação, o que influencia a queda do número de imunizações no país. Nesse sentido, segundo o Programa Nacional de Imunização, em 2016 a taxa de vacinação para poliomelite ficou abaixo dos 85%. Esses dados transmitem a realidade de que os municípios precisam reorganizar seus programas vacinais, partindo de estratégias que atinjam um maior número populacional.Para isso, é preciso que os recursos destinados para tal sejam suficientes e bem utilizados.

Destarte, com intuito de reverter esse cenário caótico, a sociedade deve pressionar por meio de manifestações às instâncias federais, para que junto das secretarias da saúde criem programas vacinais para o abastecimento dos postos de vacinação e orientação de profissionais da área para que atinjam o maior número de imunizados no país.Além disso, ações publicitárias sobretudo em rádios, televisão aberta e escola, devem buscar a conscientização da população com profissionais especializados, principalmente médicos e biomédicos, para tratar sobre a vacinação efetiva e seus bens.Assim, o alcance e a eficiência dessas ações serão relevantes conquistas sociopolíticas.