Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 14/10/2019

Em 1796, ao observar que o vírus da varíola bovina no organismo humano provocara apenas uma  inofensiva infecção e proporcionava subsequente memória imunológica, o médico britânico Edward Jenner descobriu o que para muitos é a maior avanço da história da medicina: o princípio da vacinação. Tal descoberta mostrou-se indispensável pela manutenção da vida humana na Terra, já que fora responsável quase unanimemente pelo aumento da expectativa de vida no planeta ao aniquilar enfermidades que causara epidemias catastróficas. O consenso científico quanto à eficiência e segurança das vacinas, no entanto, não impede o surgimento de movimentos opositores à vacinação.

O fenômeno antivacina, entretanto, não ostenta caráter inédito na história brasileira. No início do Século XX, diante de uma grave epidemia de doenças como a peste bubônica, varíola e febre amarela,  Oswaldo Cruz, então encarregado do saneamento da cidade, criou a Lei da Vacina Obrigatória. Incomodados com o caráter obrigatório da Lei e contemplados de pouca informações quanto à eficácia e segurança das vacinas, iniciaram-se protestos que mais tarde desencadearia um motim conhecido como a Revolta da Vacina. Porém, passados mais de cem anos desse episódio, tal comportamento carece de qualquer justificativa plausível, de modo que não só a popularização do método criado por Jenner fora responsável pela extinção doenças como a própria varíola - causadora do maior número de mortes no Século XX, mais do que as duas gurras mundias e a fome - como também o  acesso e a disseminação informacional contemporânea deveria prevenir situações como essas de repetir.

Desse modo, é pertinente trazer o discurso do sociólogo Zygmunt Bauman, no qual ele afirma: nós somos responsáveis pelo outro, estando atento a isto ou não, desejando ou não. Ao não vacinar-se, indivíduos colocam em risco não só a si próprio, como todos à sua volta, e gerando possíveis efeitos gravíssimos à saúde pública, uma vez que permite o reingresso no meio de agentes patológicos perigosos e facilmente preveníveis por vacina.

Portanto, é indispensável que viabilize-se meios que garantam a vacinação de toda população brasileira. Cabe, assim, ao Ministério da Saúde abordar o tema com a urgência que esse pede. Tal objetivo pode ser alcançado por meio de palestras gratuitas buscando esclarecer quaisquer dúvidas que a população possa vir a ter. Ainda, a recomendação a todo profissional de saúde que aborde o assunto de maneira clara e de fácil assimilação, visando desse modo, a propagação do tema principalmente as camadas mais carentes da sociedade. Garantindo, assim, o maior número possível de cidadãos vacinas e consequentemente uma sociedade mais saudável e livre de enfermidades evitáveis.