Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 12/10/2019

Em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, por conta de uma epidemia de varíola, o médico Oswaldo Cruz instituiu juntamente com o Governo a obrigatoriedade da vacinação. Tal ação desencadeou na Revolta da Vacina, um conflito social com a população periférica, pois, pela falta de informações e uso da violência nas aplicações, acreditava-se que era um modo de causar a morte e diminuir a parcela desse grupo mais pobre que já vinha sofrendo um processo de favelização por conta do crescimento urbano da metrópole. Atualmente, 115 anos após esse evento, mesmo com a dinamização da informação , ainda existem determinados grupos que contestam a necessidade e a importância da vacinação, principalmente para as crianças, causando grandes problemas ligados às epidemias.

Com o auxílio das redes sociais, o movimento “antivacina” está se tornando cada vez mais popular e levantando maiores debates sobre esse tema. Em 1998, um médico britânico conhecido por Dr. Wakefield, publicou uma pesquisa em que desenvolvia a ideia de que a vacinação estava completamente associada às causas do autismo. Esse estudo foi refutado pela Organização Mundial da Saúde, mas, mesmo assim, ainda serve como base argumentativa para os grupos aliados à teoria de que as vacinas são as principais causadoras de doenças e mortes.

Isso gera uma enorme preocupação, pois- além dos fatores sanitários, climatológicos e migratórios- esse movimento pode causar o reaparecimento de patologias graves que, anteriormente, estavam erradicadas. Um exemplo desse fato é o caso da poliomelite que encontrava-se extinta na sociedade brasileira até 1994, mas que voltou a fazer parte do dia a dia da população. Além disso, a não vacinação de adolescentes pode causar uma maior dispersão do vírus HPV, que mata muitas mulheres e é causador de doenças sexualmente transmissíveis, podendo ser evitado com 3 doses gratuitas da vacina oferecidas pelo SUS.

Portanto, a diminuição dos desafios da vacinação no Brasil não é tarefa fácil, mas torna-se possível por intermédio de campanhas sociais. Dessa forma o Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo acesso universal e gratuito à saúde na sociedade brasileira, deve criar políticas públicas que mostrem a importância da vacinação no bem-estar individual e na redução de epidemias. Essas medidas podem ser  difundidas através de palestras nas escolas e por meio de propagandas exibidas nos horários nobres da televisão. Com isso, os obstáculos da vacinação serão derrubados, e a sociedade viverá de forma mais protegida e saudável.