Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 15/10/2019

No limiar do século XX o Brasil vivenciava um contexto de intensa urbanização. Nessa conjuntura, o sanitarista Oswaldo Cruz promoveu a imunização compulsória da população, visto a elevação do índice de epidemias da época. No entanto, tal medida fora implantada de maneira violenta e autoritária, sem nenhum esclarecimento prévio acerca da sua importância, o que culminou em um movimento conhecido como Revolta da Vacina. No contexto hodierno, a problemática repete-se, uma vez que, a negligência estatal com a saúde pública perpetua-se e desencadeia a desinformação acerca dos benefícios da imunização propiciadora de um cenário apto à efervescência de movimentos antivacina, com isso, amplificam-se os desafios para a vacinação da sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, destaca-se a displicência estatal com a saúde da população acarretando a inobservância do artigo 196 da Constituição Federal de 1988, na qual prevê a saúde como um direito de todos e dever do Estado. Entretanto, de acordo com Sociedade Brasileira de Imunização (ISBM), doenças anteriormente erradicadas como o sarampo e a poliomielite voltam a circular no Brasil, principalmente, entre as camadas vulneráveis socioeconomicamente, ao passo que, a repercussão dos movimentos antivacina cresce. Dessa maneira, configura-se um cenário alarmante de descaso com a saúde dos brasileiros e ineficiência na aplicabilidade legislativa do país.

Por conseguinte, tal desinformação populacional corrobora a ascensão desses movimentos falaciosos. Alem disso, de acordo com o filosofo Pierre Levy vive-se a era da Sociedade Interconectada, onde informações, e, sobretudo, desinformações circulam velozmente e promovem a mobilização da grande massa, que desbastada dos conhecimentos que deveriam ser garantidos pelo Estado, aderem pautas equivocadas e sem base cientifica que objetivam propagar inverdades em relação a vacinação, dilatando os desafios para o Brasil no que concerne à imunização. Portanto, são necessárias soluções para tal problemática.

Destarte, é mister que o Ministério da Saúde leve informação sólida para a população a começar nas escolas brasileiras, por meio de palestras conscientizantes com médicos da rede pública e estudantes de medicina para promulgarem a importância da imunização e, concomitantemente, trabalhar na desconstrução dos paradigmas do movimento antivacina. Ademais, tais eventos devem ser promovidos nas mídias sociais do Estado, a fim de atingir o maior número de pessoas e abrir um debate científico acerca da vacinação para a comunidade. Somente assim, a Sociedade Interconectada contribuirá para o acesso ao conhecimento, e ao contrário do ocorrido durante a Revolta da Vacina, a nação saberá da prática e de sua relevância para a saúde pública, contribuindo com a construção de um Brasil mais humanitário e informado.