Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 13/10/2019

A Revolta da Vacina foi um movimento ocorrido em 1904 e que teve como motivo a política urbanística de Pereira Passos, prefeito do Rio de Janeiro que desejava uma higienização da cidade. Nesse ínterim, tal política foi efetivada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, com medidas de vacinação da população carente de forma compulsória. De forma análoga, a imunização no Brasil hodierno apresenta impasses não só pela inoperância estatal em períodos não epidêmicos, mas também pela desim portância -atrelada à falta de conhecimento- dada à aplicação de vacinas.

Convém ressaltar, a princípio, que a caótica negligência governamental no âmbito da vacinação contribui significativamente para a falta de proteção de grande parcela da sociedade, além de facilitar a volta de doenças já erradicadas no país. Nessa perspectiva, é notório que o Estado só atua de forma efetiva na imunização quando há surtos epidêmicos, visto que, na ausência desses contágios de grande proporção, ocorre um descaso estatal na efetivação de medidas profiláticas. Dessa forma, a “lei da inércia”, de Isaac Newton, ao afirmar que um corpo tende a permanecer parado até que uma força externa atue sobre ele, ratifica como a posição administrativa gera a manutenção desse estado letárgico do sistema de saúde público.

Ademais, é perceptível que boa fração do corpo social brasileiro não reconhece os inúmeros benefícios provenientes da vacina, ora por falta de conhecimento, ora pela constante veiculação de “fake news” acerca desse tema. Com efeito, tais fatores proporcionam uma falsa sensação de proteção nos indivíduos, os quais, muitas vezes, recusam os métodos de imunização, fenômeno este que se estende aos pais e responsáveis que ausentam crianças -faixa etária mais vulnerável à doenças- desse processo. Sob tal ótica, o sociólogo Émile Durkheim, ao definir a “consciência coletiva” como um conjunto de pensamentos coercitivos que influenciam o comportamento e são transmitidos social e tradicionalmente, exemplifica como o desconhecimento sobre a importância da vacina pode ser problemático.

Destarte, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar tal problemática. Para tanto, urge ao Ministério da Saúde criar um aplicativo que informe acerca dos benefícios da vacinação, além de promover um controle de quais vacinas estão pendentes, por intermédio dos postos de saúde municipais, que devem facilitar e incentivar o login em tal plataforma digital com a disponibilidade de tablets e computadores nesses estabelecimentos. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceira com os Governos Estaduais, deve criar campanhas anuais de vacinação de doenças epidêmicas. Assim, a vacinação no país não apresentará impasses semelhantes aos de 1904.