Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 13/10/2019
A chamada “Revolta da Vacina” foi uma insurreição popular ocorrida no Rio de Janeiro no início do século XX. A revolta ocorreu como uma reação popular contra a campanha de vacinação obrigatória, posta em prática por Oswaldo Cruz, médico e sanitarista brasileiro. No Brasil hodierno, a crescente aversão à vacinação se explica não apenas pelas “fake news” espalhadas nas redes sociais, mas também, pelo distanciamento do brasileiro em relação às doenças até então controladas, o que configura um sério problema nacional.
Em primeira instância, é importante destacar o crescente número de “fake news” espalhadas pelas redes sociais na atualidade. Uma pesquisa do MIT (Massachussetts Institute of Technology), concluiu que a probabilidade de uma notícia falsa ser compartilhada é 70% maior que uma notícia verdadeira. Com isso, a disseminação de notícias falsas agrava o cenário de vacinação, causando uma preocupação por parte dos pais atingidos por falsas informações, explicando então, os decrescentes números de recém nascidos vacinados. Dessa forma, os atuais movimentos antivacinação, que se espalham sem nenhuma base científica, comprometem o bem-estar da população. Por conseguinte, o ato de não vacinar deixa de ser uma decisão pessoal e pode ser considerado um ato de responsabilidade coletiva, já que compromete a saúde de todos os cidadãos.
Ademais, outro fator para o enfraquecimento da campanha de vacinação pode ser explicado pelo distanciamento da população com as doenças. No Brasil, a varíola e poliomielite foram controladas ainda antes do século XXI. A desinformação por parte do povo sobre os surtos, não apenas causa um comodismo excessivo, mas também uma despreocupação para com os futuros efeitos na sociedade, efeitos que a longo prazo, podem surgir com a volta das epidemias no território nacional.
Portanto, é fato que as crescentes “fake news” e o distanciamento da população, podem contribuir para o menor sucesso na vacinação da população. Destarte, o Governo Federal em parceria com a mídia, deve atuar na propagação de notícias de conscientização que expõem os danos irreversíveis à saúde que estas doenças podem causar. Além disso, o Ministério da Saúde deve atuar diretamente no investimento de ações para a vacinação que possam agir em todo o território brasileiro, tal como a criação de postos de vacinação em lugares mais remotos. Para que assim, a população compreenda a importância das vacinas e tenha todos os meios para usufruir deste direito público e não correr o risco da volta das temidas epidemias do século XX.