Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 17/10/2019
As estruturas que fomentam a saúde, como a vacinação, abordam virtudes provenientes de um caráter insuflado de racionalidade à vida ao ponderar uma série de colisões com o futuro. Conquanto que, apesar da sua essencialidade, a sua banalidade precede à marginalização de direitos, ocasionalmente retratada na obra ‘‘O cientista’’ do maestro brasileiro Silvio Barbato, o qual faculta voz á sociedade brasileira de 1904 em uma rebelião popular contra a vacina anti-varíola.
Precipuamente, Du Bois, um ativista político, implica as falhas na perspectiva de um progresso humano ao abordar a perpetuação do colonialismo moldado em estruturas modernas. Em virtude desta análise, salienta-se o movimento histórico da reurbanização do Rio de Janeiro, o qual utilizou-se da estratificação social que, por certo, mascara e tolera a ilusória percepção de uma ‘’existência branca’’, tendenciando uma visão do negro dependente dos padrões do pensamento europeu fundamentalmente racista. Analogamente, em outras palavras, o governo utilizava a campanha de saneamento como um instrumento de autoritarismo e segregador, o qual desencadeou um sentimento de insatisfação por parte da população, ironizando a ação dos agentes da saúde pública e recusando a vacina.
Por conseguinte, de acordo com a Constituição Federal de 1988, há a preservação ao direito do bem-estar isonômico, sendo decreto institucional insuficiente para dirimir as situações que ameaçam a segurança nacional. Eventualmente, percebe-se a atuação de um Estado brasileiro que a perpetua sua forma e existência, mas sem padrões e redirecionamentos, perdendo a essência no contato com as virtudes naturais da sociedade e persistindo na omissão das consequências provocadas por fake news. Analogamente, este paradigma nocivo ao exercício da cidadania reflete-se na sociedade contemporânea em diversos mecanismos sociais como, por exemplo, a supressão da vacinação que, segundo os dados do Ministério da Saúde, alveja 55% da sociedade brasileira.
Portanto, é mister que o direito à dignidade humana seja, de fato, assegurada como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sob essa ótica, o Ministério Público Federal, por meio de ações judiciais avaliadas com prioridade pelo Poder Judiciário, deve assegurar as condições de segurança e o exercício da cidadania, incentivando as políticas públicas e direcionando maior visibilidade à importância da vacinação. Complementarmente, o Ministério da Saúde deve disponibilizar profissionais, como agentes de saúde e professores, que deem apoio e estímulo para a continuação educacional da sociedade em atuar e assumir uma postura ativa na prevenção de doenças, por meio de ações sociais que assegurem as condições de saúde, direcionando uma maior evidência à vacinação como um incitador do desenvolvimento.