Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 14/10/2019

Na década de 50, o Brasil registrava cerca de 100 mil casos de sarampo e 10 mil casos de poliomelite, todos os anos. Nessa época, o Ministério da Saúde (MS) não tinha um programa de imunização definido que abrangesse todo o território nacional. Assim, apenas alguns estados ofereciam vacinas e o acesso ainda era limitado. No entanto, o impacto familiar, social e econômico era grande. Atualmente, percebe-se evolução nos critérios e cuidados referentes ao processo de vacinação, com calendário específico para todas as faixas etárias, facilidade ao acesso e garantia de gratuidade das vacinas. Porém, observa-se redução do número de pessoas vacinadas, com consequências graves e até letais.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), as vacinas evitam entre 2 e 3 milhões de mortes por ano. Sabe-se, que as pessoas podem escolher, se querem ou não serem vacinadas. Entretanto, o problema é que nem todos possuem informações suficientes para serem assertivos em suas escolhas. Também, o Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) menciona, que a nova geração de pais desconhecem a gravidade das doenças, primeiro, por não vivenciarem os casos letais das mesmas e segundo, a maioria não tiveram informações suficientes na escola ou nas unidades de saúde. Ainda, SBI reitera que todas as vacinas necessárias são oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, há o impacto social e econômico dos possíveis surtos. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) corrobora que a falta de vacinações e a ocorrência das doenças, como sarampo, pólio, difteria, coqueluche e poliomielite, podem afetar o desenvolvimento neurológico e cognitivo, provocando dificuldades de aprendizagem e/ou sequelas como cegueira, surdez, paralisia e até a morte, repercutindo na família e nos sistemas de saúde e educação.

Dessa forma, é necessário um movimento para resgatar a credibilidade das vacinas. Inicialmente, devem ser formuladas cartilhas específicas e desenvolvido um treinamento especializado, pela equipe de recursos humanos do MS e parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), para os profissionais de saúde e da educação municipais e estaduais, para assim, alinhar os saberes sobre a vacinação. Mais adiante, seriam estruturados oficinas com pais e alunos, separadamente, a fim de informar sobre a eficácia das vacinas e desmistificar os medos e fantasias relacionadas a esse processo. Concomitantemente, seriam distribuídas cartilhas especializadas, pelos Agentes Comunitários de Saúde, das unidades de Estratégias de Saúde da Família (ESF) nos territórios municipais, a fim de agregar informações aos moradores locais e aumento da cobertura de vacinações.