Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 14/10/2019
De acordo com o Art. 196 da Constituição Federal de 1988: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos(…)”. Entretanto, tal norma, na contemporaneidade, mostra-se fragilizada quando fa-tores, como a influência crescente do movimento antivacina e a circulação desenfreada de “fake news”, são desafios para que a sociedade brasileira compreenda a importância da vacinação. Desse modo, ca-bem analisá-los e propor alternativas a conter a volta de doenças evitáveis.
Dentro desse contexto, vale pontuar, de início, que conforme a O.M.S. revela que a “hesitação em se vacinar” é uma das dez ameaças globais da atualidade, ratifica-se a preocupação do Governo quanto à queda do índice de cobertura vacinal. Mas, esse problema se agrava quando esse receio é instigado pelo movimento antivacina, cuja ideia baseia-se na alegação de que a medicina tradicional, voltada à fi-toterapia ou homeopatia, é a opção mais segura e eficaz. Assim, o pensamento errôneo de que os ris-cos de ser vacinado superam os benefícios difunde-se e, consequentemente, impacta o trabalho de sa-nitaristas ao potencializar surtos epidêmicos severos. A exemplo disso, o vírus do Sarampo assola o Brasil, onde confirmaram-se mais de três mil casos da doença, segundo dados do M.S. — Ministério da Saúde — setembro de 2019.
Além da influência dos “antivacinistas”, há a disseminação de notícias falsas acerca dos efeitos cola-terais dessa imunização passiva, o que na era informacional, paradoxalmente, aliena uma parcela signi-ficativa da população. Essa alienação é evidenciada quando, ainda em 2019, um novo estudo é publi-cado, dessa vez na Dinamarca, para desmitificar a percepção, inventada há duas décadas, de que a vacina causa o autismo, defendida até pelo atual presidente dos E.U.A. “Donald Trump” cinco anos atrás. Tais conteúdos sem fundamentos, embora sejam combatidos pelo M.S. por meio do WhatsApp, continuam a “alimentar” a desconfiança das pessoas, sobretudo dos responsáveis legais, o que torna dificultosa a atualização da caderneta de vacinação dos filhos.
Portanto, faz-se necessário o combate a essa desinformação. Dessa maneira, a Secretaria Municipal de Saúde deve identificar os bairros onde há menor taxa de cobertura vacinal e maior vulnerabilidade à transmissão de agentes etiológicos para, em seguida, desenvolver ações que visem ao esclarecimento dos brasileiros acerca da importância de se vacinar, sendo indispensável o trabalho da equipe de enfer-magem, de modo que a comunidade participe ativamente da programação do evento e, assim, adquira a responsabilidade em manter a carteira de vacinação do indivíduo atualizada. Só com a vacinação garantida, determinadas epidemias serão de fato evitadas e o artigo 196 da CF/88 será concretizado.