Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 15/10/2019

A primeira vacina foi desenvolvida no século XVIII para combater a varíola, tendo se tornado um marco ao revolucionar a medicina preventiva. Desde então, ao longo da história humana, as vacinas tiveram um papel crucial no controle de enfermidades fatais. Atualmente, no Brasil, a obrigatoriedade da imunização é prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e o Governo fornece a proteção contra diversas doenças gratuitamente através do SUS. No entanto, o atual quadro do país é preocupante: as estatísticas apontam uma queda da cobertura de vacinação nos últimos anos - o que pode desencadear o retorno de antigas ameaças. Tendo em vista que esse é um problema de saúde pública, infere-se que o Estado é, em última instância, o principal responsável.

Primeiramente, se faz necessário destacar que a educação e a saúde pública são dois pilares sociais que andam juntos. Uma população com boa formação educacional, que reconhece e valoriza o saber científico enquanto uma ferramenta positiva para a sociedade, tende a não relutar contra as instruções de especialistas, sobretudo no que diz respeito à sua própria saúde e à de sua família. Por outro lado, quando a ciência não é bem compreendida, mitos disseminam-se com facilidade, como é o caso dos espectros que rondam a questão da vacina e fazem com que muitos cidadãos recusem a imunização.

Outrossim, é preciso mencionar o problema no abastecimento de muitos postos de saúde, que afeta sobretudo os municípios mais pobres e isolados, mas também tem ocorrido nos grandes centros. Nos últimos anos, o país vem apresentando episódios de falta de determinadas vacinas essenciais para a proteção de recém-nascidos, como a pentavalente e BCG. Se já é desafiador convencer os cidadãos de que precisam ir ao posto, o material precisa estar disponível para que essas pessoas não desistam e se corra o risco de que não retornem ou demorem tempo demais para fazê-lo.

O caminho para enfrentar os desafios da vacinação dos brasileiros, portanto, começa na educação. O MEC precisa estabelecer o ensino do método científico nas escolas de maneira didática, a fim de que se mostre por quais razões ele é - parafraseando Carl Sagan - “uma vela no escuro”. A imunização, mais especificamente, deve ser tema obrigatório a ser trabalhado nas aulas de ciências da natureza com carga horária mínima. É interessante contar, ainda, com as aulas de sociologia no ensino médio, para que o fenômeno das “fake news” seja devidamente debatido, ajudando a formar um caráter crítico diante de fontes duvidosas. Ademais, tal esforço na educação pode ser infrutífero se o Estado não garantir o devido abastecimento dos postos. Urge que mais recursos sejam direcionados para a produção e distribuição das vacinas, pois episódios de falta são inaceitáveis. Assim, com tais investimentos, a curto e a longo prazo, certamente a saúde pública brasileira só tem a ganhar.