Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 25/10/2019
Vacinas: vítimas do próprio sucesso
No início do século XX a cidade do Rio de Janeiro foi palco de uma importante campanha de vacinação, que com seu caráter obrigatório combinado com a resistência da população culminou na Revolta da Vacina. É indubitável, porém, a eficiência da campanha, haja vista, o controle da varíola e de outras doenças em escala nacional. Entretanto, o desaparecimento de doenças diminuiu a percepção de risco e banalizou a importância das vacinas. Assim, faz-se necessário analisar imbróglios, como a negligência governamental e a desinformação da população, que sustentam a atual queda da imunização no Brasil.
A priori, é imperioso destacar o déficit de políticas públicas de prevenção. Factualmente, o Brasil teve um início conturbado do programa de vacinação e, apesar de uma evolução, hodiernamente enfrenta grandes desafios. O crescimento desproporcional entre população e investimentos é constatado no sucateamento de postos de saúde, mormente em áreas periféricas às metrópoles nacionais. Urge, assim, consequências graves como o surto de sarampo no estado de Roraima, que não tem estrutura para imunizar os imigrantes vindos da Venezuela.
Outrossim, a limitação intelectual é um entrave à plena vacinação nacional. Segundo o sociólogo Pierre Lévy, vivemos em uma “sociedade hiperconectada”. Graças à esse fenômeno o brasileiro tem importado as ideias do movimento antivacinas, pautado em um discurso falacioso amplamente reproduzido na internet. Assim, na contramão de estudos científicos, por vezes desconhecidos pela população, muitos indivíduos optam por não se vacinarem, o que acarreta o reaparecimento de patologias antes erradicadas.
Destarte, é imprescindível a promoção de intervenções que mitiguem tal problemática. Logo, o Governo por meio do Ministério da Saúde deverá mapear e distribuir um número maior de vacinas pelo território afim de suprir a demanda nacional e estruturar os postos de saúde pública. Ademais, em parceria com veículos midiáticos, deverão ser impulsionadas campanhas educacionais afim de desconstruir a falácia do movimento antivacina e divulgar os estudos científicos sobre o tema. Espera-se assim que o governo controle os efeitos colaterais do sucesso das vacinas e garanta uma crescente imunização nacional.