Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 23/10/2019

A Revolta da Vacina foi um motim social ocorrido em 1904, com o intuito de revogar a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola proposta por Oswaldo Cruz, onde a população alegava o direito violado pelos funcionários da saúde pública, que invadiam suas casas e os vacinavam à força: a autonomia sobre o próprio corpo. Hodiernamente, ao fazer uma análise da sociedade, encontra-se um cenário paralelo ao movimento do século XX, que se opõe às campanhas de vacinação, em virtude da negligência e insuficiência estatal, bem como da idealização errônea entre doenças e vacinas.

Em princípio, o artigo 196 da Constituição Federal assegura que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, de acesso universal e igualitário. Porém, o descaso governamental com a falta de investimentos em recursos que garantem uma ampla cobertura vacinal, é fundamental na consolidação da problemática. Um exemplo disso é a falta de vacinas em regiões remotas do país, com baixa capacidade para gerir programas de imunização, como o Norte e Nordeste brasileiro, onde recentemente o estado de Roraima, decretou surto de sarampo -doença já erradicada no Brasil- após a chegada de venezuelanos no território nacional, que não foram imunizados em seu país de origem. Dessa maneira, a negligência contribui para uma maior disseminação de patologias.

A posteriori, a diminuição das taxas de vacinação podem estar relacionadas com a disseminação de fake news via redes sociais. Textos que simulam técnicas jornalísticas para apresentar informações falsas com aparência de credibilidade, cada vez mais circulam pela internet, a fim de enganar a população acerca dos efeitos colaterais causados pela vacina, tendo como exemplo, o artigo publicado em 1998 pelo inglês Andrew Wakefield na renomada revista científica “The Lancet”, onde associava a tríplice viral a casos de autismo em crianças. Nesse sentido, a difusão de pseudo notícias corrobora para a potencialização de movimentos antivacinas e, consequentemente, torna a sociedade mais suscetível e vulnerável.

Em suma, é mister que o Governo Federal invista em recursos de imunização em todo o território nacional, principalmente em lugares de difícil acesso, como vilarejos, povoados e sertões, aumentando a produtividade de vacinas, para melhor atender o público alvo e o número de Unidades Móveis de Imunização, a exemplo barcos e jeeps, para amparar essas regiões remotas, a fim de promover a prevenção de toda comunidade. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde juntamente com o sistema midiático, a criação de campanhas publicitárias informativas, deixando explícito o que é a vacinação, como ela acontece, seus efeitos e sua importância, com a intenção de minimizar a propagação de conteúdos falaciosos e o surgimento de novos movimentos antivacinas.