Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 23/10/2019
Em 1904, ocorreu no Rio de Janeiro o movimento conhecido como “Revolta da Vacina”, no qual o governo brasileiro impôs sobre a população relutante a obrigação de se imunizarem contra os surtos de varíola que ocorriam na capital do Brasil na época. Paralelamente, no século XXI ainda existem diversos impasses para a execução dos projetos de imunização da população brasileira. Dentre os mais graves estão: a negligência do Estado e a má informação da população em relação ao tema.
Nesse contexto, apesar de estar posto na Constituição Federal que a saúde é direito de todos e dever do Estado, pode-se analisar que o mesmo não tem realizado as intervenções necessárias para a execução adequada do decreto. Uma das indiligências cometidas pelo governo é a má distribuição das doses de vacina em locais de difícil acesso a recursos básicos de saúde, onde há grande concentração de população leiga no que diz respeito ao assunto. Um grande exemplo desses tipos de locais são as aldeias indígenas nos interiores do Brasil.
Ademais, cada vez mais brasileiros têm aderido aos movimentos anti-intelectuais, oferecendo destaque ao movimento antivacina. É bastante perceptível que essas correntes são baseadas na má informação e, por muitas vezes, possuem ligeira influência derivada da ideologia política adotada pelos seus aderentes, já que determinados partidos políticos se contrapõem completamente aos princípios científicos em diversos aspectos. É, também preocupante o fato de que o Estado age com grande descaso nessa situação, já que nenhum representante já se pronunciou sobre o assunto que, infelizmente, ganha mais adeptos a cada dia.
Portanto, para concretizar a execução do papel do Estado nessa situação e amenizar o quadro atual, faz-se necessária a adoção de medidas. Urge que o Ministério da Saúde mapeie os locais remotos e, por meio da utilização das unidades móveis de saúde, realize a aplicação das vacinas, de modo a dar prioridade aos locais mais propícios e ás populações mais vuneráveis a contaminação de determinadas doenças. Cabe, também, ao mesmo Ministério, a criação de campanhas publicitárias que divulguem o conhecimento científico que envolve a vacina, dando destaque à sua forma de ação no organismo e a sua importância para a garantia da saúde pública. Essas campanhas devem abranger todas as instituições sociais e educacionais do Brasil, além dos principais meios de comunicação, de modo a conscientizar, principalmente, a parcela em formação da sociedade.