Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 23/10/2019

Durante a Baixa Idade Média, ocorreu uma epidemia de leptospirose pela Europa em decorrência da falta de saneamento básico e de imunização da população. Assim, as vacinas surgiram como precaução para não acontecerem mais fatos como esse, o que, consequentemente, aumentou a expectativa de vida da população. Entretanto, no Brasil, que possui um dos melhores programas de vacinação do mundo de maneira gratuita, verifica-se o aumento de movimentos anti vacina fundamentados, muitas vezes, em notícias falsas e crenças populares, disseminados rapidamente pelo advento da internet e das redes sociais, meios de alto alcance populacional.

No raciocínio desse contexto, é perceptível que a vacinação ofertou uma melhora da qualidade de vida da sociedade em detrimento da urbanização acelerada, desorganizada e acompanhada do avanço de doenças. Dito isso, o doutor Drauzio Varella afirmou, “As vacinas foram o maior avanço da história da medicina”, demonstrando que, além de uma evolução da saúde do corpo social, esses mecanismos de defesa contra patógenos significam o progresso de pesquisas científicas, as quais passam por vários procedimentos antes de difundirem essas imunizações às comunidades. Dessa forma, essas ferramentas são instrumentos de proteção individual e coletiva, já que evitam a disseminação de enfermidades em larga escala, o que demostra um risco iminente para o bem-estar dos cidadãos quando eles duvidam da eficácia dessas.

Devido ao sucesso do programa nacional de imunizações nos últimos anos, diversas pessoas, ao não verem mais riscos de aquisição de certa doença, não vacinam mais os seus filhos, fator que, somado à divulgação de fake news sobre possíveis efeitos colaterais nesses procedimentos, afeta a saúde pública do país. Desse modo, segundo a Organização Mundial da Saúde, a “hesitação vacinal” é um dos dez maiores perigos à vitalidade mundial, pois, sem uma proteção adequada, agentes infecciosos aproveitam-se e espalham-se entre os indivíduos. Dessarte, artigos informando uma ligação entre vacinações e aparecimento de disfunções no organismo, considerados crime por Varella, promovem a desconfiança e o medo naqueles que não procuram por fontes confiáveis e, portanto, ameaças de retorno de moléstias consideradas erradicadas, como ocorreu com o sarampo, que, conforme o Ministério da Saúde, em 2019, cresceram os números de casos relatados.

Visto que grupos anti vacinas crescem, novas ações são necessárias para combatê-los. Cabe ao Ministério da Saúde executar campanhas com médicos cientistas, mediante as redes sociais, em que desmintam informes errôneos acerca da vacinação, a fim de que a população continue se imunizando e não fique receosa quanto a isso. Logo, as doenças não terão mais um meio para se propagar.