Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 27/10/2019
Em 1904, o levante popular conhecido como Revolta da Vacina expressou a insatisfação da população com as novas políticas públicas de imunização, caracterizadas pelo autoritarismo e ausência de diálogo. De forma análoga aos eventos do século passado, observa-se hoje, sobretudo no Brasil, a retração no número de indivíduos vacinados. Isso ocorre, ora em função da ignorância civil, ora pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de liquidá-los de maneira eficaz.
A priori, é imperioso citar a influência que informações equivocadas, amplamente divulgadas por meio das redes sociais, exercem sobre a população. Carentes de orientação adequada, os indivíduos são expostos, cotidianamente, a conteúdos que apontam as vacinas como um método de imunização inseguro, capaz até mesmo de causar diversas doenças e distúrbios. Esse panorama se evidencia, por exemplo, na diminuição do número de crianças vacinas contra poliomielite, atingindo em 2016 a menor taxa em 12 anos, segundo dados do Programa Nacional de Imunização. Logo, é substancial a alteração desse quadro, visto que ele propicia, inclusive, a disseminação de males considerados erradicados.
Outrossim, é imperativo pontuar que os baixos índices de imunização derivam, ainda, da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tal ocorrência. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao se observar o desabastecimento de vacinas essenciais, principalmente no municípios periféricos, panorama que ficou evidente durante o último surto de febre amarela no estado de São Paulo. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Em suma, são necessárias medidas para combater a diminuição do contingente de indivíduos vacinados. Para tanto, a fim de utilizar os recursos disponíveis de forma mais eficiente, o Ministério da Saúde deve realizar pesquisas e coletar dados por meio de agentes de saúde, selecionando as regiões mais vulneráveis e garantindo o fornecimento das vacinas. Ademais, cabe às mídias de grande alcance promover, por meio de reportagens, a eficácia da vacinação, contribuindo para conscientizar a população. Enfim, tais medidas irão contribuir para que episódios semelhantes à Revolta da Vacina não voltem a ocorrer.