Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/10/2019

Embora a vacinação tenha sido responsável pela diminuição da mortalidade infantil em vários países, principalmente os em desenvolvimento, a hesitação em tomá-la é uma das 10 maiores ameaças globais à saúde em 2019, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Decerto, essa contradição é consequência da desinformação. Porquanto, a falta de conhecimento permite que teorias conspiratórias ganhem força e minem uma consciência que demora a ser formada.

Convém lembrar que, a Revolta da Vacina, episódio da chamada República Velha, foi produto da insensibilidade do governo no reconhecimento da importância de educar seus cidadãos. Dessa forma, não deve existir vácuo de informação entre ações do poder público e a população. Ademais, com a internet, notícias falsas podem ser espalhadas facilmente e o conhecimento é ferramenta fundamental para enfrentar essas teorias conspiratórias e a ignorância. Sendo assim, o Brasil começou, por meio do pré-natal e do Programa Saúde da Família, a se aproximar da população e informá-la sobre a importância da vacinação, porém, segundo dados do Ministério da Saúde, desde 2011 a imunização de crianças registra queda e casos de sarampo, antes erradicado do país, foram registrados em 2019.

Em consequência disso, o que falta é uma cultura que olhe para a vacinação como questão de saúde pública e não como algo individual. Desse modo, é preciso conscientizar os cidadãos que a sua decisão de não se vacinar afeta o bem comum, em virtude de pessoas que não podem ser imunizadas, como aquelas que estão em tratamento contra o câncer, precisarem da ação de outras para serem protegidas. Como já foi teorizado por Durkheim, a “consciência coletiva”, considerada como a cultura e o senso comum da sociedade, é capaz de coagir e causar constrangimento para aqueles que agem de maneira diferente. Assim, com o conhecimento, é possível o autodesenvolvimento de uma civilização que coloca a coletividade acima de atos individuais.

Logo, a melhor maneira para se enfrentar os atrasos que a ignorância traz consigo e que a modernidade ajudou a espalhar é educar a população. Dessa maneira, como é função do Executivo a operacionalização de políticas públicas, o Ministério da Saúde precisa criar campanhas educativas para informar aos cidadãos sobre os efeitos de uma sociedade imunizada para a saúde pública e colocá-las no Plano Plurianual da pasta para garantir a sua continuidade. Tendo em vista que, a permanente conscientização permite a construção de algo culturalmente introduzido na sociedade e traz o debate a fim de demonstrar a sua importância. Além disso, os aparatos de comunicação é um espaço político com capacidade de construir opinião pública, formar consciências, influir nos comportamentos, valores, crenças e atitudes.