Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/10/2019

A Revolta da Vacina, movimento popular causado pela inserção da vacina de forma compulsória no programa de saúde pública durante a República Oligárquica, foi imprescindível para a evolução do combate às doenças no Brasil e da ciência como um todo. Contemporaneamente, esse programa enfrenta dificuldades de adesão devido à popularização dos movimentos de resistência às vacinas, além do baixo investimento municipal em programas de imunização, que, juntos, acabam por justificar a queda do número de imunizados e a crise da vacinação brasileira.

Em primeiro plano, é válido ressaltar o protagonismo das ações de questionamento científico sobre a temática por parte dos pais no que tange a queda da adesão das vacinas. Isso pode ser percebido pelo surgimento de organizações como o Movimento Antivacina, que não acredita na importância da vacinação para as crianças como forma de combater doenças perigosas - como o sarampo e a poliomelite - e, então, esses responsáveis deixam de vacinar seus filhos por insegurança e descrédito. Dessa forma, assim como reconhecido pela Organização Mundial Da Saúde (OMS) como um dos perigos para o ressurgimento de doenças já erradicadas, um dos principais desafios para garantir a vacinação plena dos brasileiros é, certamente, a falta de apoio dos pais e suas refutações científicas.

Outrossim, a inobservância do poder público em investir em programas de imunização eficientes é outro fator causador da problemática. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado  é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de capital destinado pelo Ministério da Saúde aos programas de vacinação municipais, como nos setores de publicidade das campanhas e compra de vacinas, o número de adesões entra em crise e acaba por ilustrar mais um obstáculo desse cenário. Logo, a precarização do serviço estatal diverge da lógica hobberiana e reafirma o baixo contingente de pessoas imunizadas.

Dessarte, medidas que visam mitigar os desafios da vacinação no Brasil são necessárias. Para tal, o Ministério da Saúde deve combater arduamente a disseminação de notícias falsas e a precariedade do sistema de saúde pública dos municípios e estados, por meio da criação de políticas públicas gerais de incentivo à vacinação e de resolução dos problemas que circundam essa temática. Tal proposta sugere a configuração de um plano de combate nacional que envolve, principalmente, o repasse monetário para as áreas deficitárias, como a questão da propaganda e o financiamento da aquisição de vacinas, para que, então, os desafios brasileiros sobre essa questão sejam amenizados e, a longo prazo, vencidos, e a saúde plena seja assegurada a todos como conta no artigo 196 da Constituição.