Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 29/10/2019

A vacina, técnica desenvolvida em meados do século XVIII, com o fito de proteger a humanidade contra a doença da época, a varíola, trouxe efeitos satisfatórios no que tange à preservação da saúde humana. No entanto, no cenário hodierno global, houve uma redução brusca nos índices de vacinação mundial, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, 2017. Esse quadro aufere forças, ora em função da desinformação civil, ora pela pouquidade de investimentos pelo Estado no combate às informações falsas.

A priori, é fulcral abordar a falta de criticidade da população brasileira acerca de notícias equivocadas compartilhadas a rápidos cliques nas redes sociais utilizadas amplamente por todo o mundo. Tal panorama põe em xeque não apenas a saúde, como também a autonomia do indivíduo em distinguir o que é certo e verdadeiro. Com efeito, a perpetuação da postura social vigente torna o sistema de saúde enfermo e débil, haja vista que a função pressuposta da informação é deturpada por informes distorcidos. Essa conjuntura configura-se um ciclo vicioso à medida que não há ação ativa que tolha a propagação de notícias falsas. E, por conseguinte, há um aumento exponencial na queda da taxa de vacinação.

Sob outro viés, é essencial destacar o abandono da esfera governamental quanto à preocupação de combater as notícias que incitam os cidadãos a negligenciar o tratamento de imunização ativa, liberado pelas Unidades Básicas de Saúde, periodicamente. Seguindo essa linha de pensamento, esse contexto caracteriza-se como a quebra do “contrato social”, defendido pelo filósofo John Locke, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir aos cidadãos direitos básicos, a saber, informação verídica e saúde de qualidade. Dessa forma, o Estado é tido como vilão na manutenção regular da saúde pública brasileira.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de mitiga tal agrura. Desse modo, é imprescindível a atuação conjunta do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde. Ao primeiro, cabe induzir a formação de criticidade nos estudantes quanto a importância da vacinação, por meio de palestras socioeducativas no âmbito escolar, com a presença de familiares e de agentes de saúde, com o objetivo de rebater informações deturpadas. Ao segundo, deve promover a quebra do ciclo vicioso da dispersão de anúncios falsos, mediante a campanhas instrutivas em redes sociais e em rede aberta de televisão, com o propósito de atingir um número maior de pessoas e, dessa maneira, conquistar a conscientização íntegra da população e reduzir os índices de abandono da vacinação em todo o território nacional.