Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 29/10/2019

O documentário “A Vacina que Mudou o Mundo”, do doutor Jonas Salk, narra, com detalhes, a difícil batalha contra a epidemia de poliomielite ocorrida na década de 1950. No entanto, apesar dos avanços alcançados na área da saúde, doenças graves, que há pouco tempo estavam controladas, voltaram a assombrar a sociedade brasileiras. Nessa perspectiva, torna-se evidente a precarização dos serviços públicos de saúde, bem como a desinformação de setores da população. Com isso, visando à mitigação do problema, fazem-se prementes debates entre Estado e sociedade acerca dos desafios para garantir a imunização.

Em primeira análise, é lícito postular a falta de estrutura nos postos de saúde e hospitais compromete a eficácia da imunização em escala nacional. Isso se explica, pois, apesar de a Carta Magna de 1988 garantir o direito à saúde, a má gestão dos recursos públicos e a corrupção comprometem a qualidade dos serviços prestados, dificultando o acesso da população à vacinação. Sabe-se que, historicamente, o Brasil teve um início conturbado no programa de vacinação, sendo contra a vontade do povo, o que desencadeou a Revolta da Vacina. Todavia, o crescimento populacional e os investimentos feitos pelo Estado progrediram de maneiras desproporcionais. Essa realidade, conforme as ideias do filósofo John Locke, é vista como uma violação do Contrato Social, já que não que é cumprida a função de garantir que os cidadãos gozem de seus direitos.

Outrossim, vale ressaltar que a falta de informação é outro fator que dificulta o controle de doenças, uma vez que, muitas pessoas, por não conhecerem os graves riscos que a não imunização pode causar, negligenciam essa prevenção e acabam reduzindo a segurança da população. Além disso, a disseminação de notícias falsas que associam a vacina ao ato de manifestar patologias interferem diretamente, por exemplo, na escolha dos pais de levarem seus filhos para se vacinar. Sob esse viés, o filósofo Émile Durkheim afirma que a sociedade é como um corpo biológico, em que as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade. Dessa forma, sem o engajamento de todas as camadas sociais, o país pode voltar a sofrer com os efeitos ocasionados por doenças graves.

É imprescindível, portanto, que o Ministério da Saúde promova a melhoria do sistema público de saúde, por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização, garantindo que todas as comunidades sejam contempladas. Além disso, as prefeituras, junto às escolas –máquinas socializadoras- devem criar projetos voltados para a aproximação das famílias e instituições de saúde, por intermédio de conscientização e oficinas culturais, com a participação de profissionais da área, a fim de elucidar as massas e conscientizar a comunidade acerca dos benefícios da vacinação infantil. Assim, espera-se promover uma retomada de níveis satisfatórios de vacinação no país, de forma que o corpo social, idealizado por Durkheim, esteja plenamente saudável.