Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 30/10/2019

No início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro, foi palco de uma grande manifestação popular, conhecida como a Revolta da Vacina. Tal fato aconteceu por conta do desconhecimento da sociedade em relação aos benefícios da vacinação. Hoje, apesar de tantos avanços na área da saúde, a desinformação é intensificada com o advento da tecnologia e das populares “fake news”. Desse modo, novos mitos criados sobre a ação de saúde ganham espaço na atualidade. Nesse sentido, faz-se necessário analisar a problemática, de modo a garantir meios para solucioná-la.

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar o impacto da tecnologia para o agravamento do problema de saúde. A sociedade, com alto número de informações acontecendo instantaneamente, deixa de buscar uma análise crítica para acreditar naquelas notícias que mais rápido se espalha. Isso pode ser visto pela pesquisa que o Ministério da Saúde realizou no ano de 2018, em que a principal causa da falta de vacinação era o medo populacional em receber a medida, seguido de falta de credibilidade e notícias falsas sobre os possíveis efeitos colaterais.

Além disso, o descaso estatal diante da atual crise de vacinação faz parte do problema. Isso porque, apesar da saúde ser um pilar garantido na Constituição Cidadã, o Estado falha ao não priorizar investimentos em campanhas de vacinação e em recursos que garantam uma ampla cobertura vacinal, rompendo assim com a teoria do filósofo São Tomás de Aquino, no qual diz que todos os civis devem ser auxiliados e protegidos pelo governo vigente. Um exemplo disso é a reincidência de doenças como sarampo e poliomielite nas regiões de fronteira, que poderiam ser evitadas com medidas preventivas a toda a população local. Dessa maneira, tal negligência contribui com uma maior disseminação de enfermidades e corrobora com a precária situação da saúde pública.

Nesse sentido, é notória que a falta de conscientização populacional sobre as vacinas é fruto das novas formas de comunicação, atrelado a uma negligência estatal. Faz-se necessário, então, que o Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, invista na transmissão da importância sobre a imunização, por meio de campanhas em canais abertos, que convidem a população a compreender o assunto. Além disso, o Governo deve promover a melhoria do sistema público de saúde, por meio de aplicação de maiores verbas direcionados às unidades básicas, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização, garantindo assim, que todas as comunidades sejam contempladas. Somente desse modo poderá se prevenir contra novas revoltas, como a de 1904, além de instruir a população para um senso crítico e compreensivo sobre o tema.