Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 31/10/2019
Em 1904, o total desconhecimento da população a respeito da vacinação, como um mecanismo indispensável a erradicação de doenças, aliado a proliferação de notícias fantasiosas sobre o tema culminou no surgimento de um movimento popular conturbado. À vista disso, hodiernamente, o número de indivíduos infectados aumenta no Brasil, tendo em vista a inércia governamental em promover uma distribuição regular e eficaz dos medicamentos. Ademais, a disseminação de informações falsas sobre as vacinas nas redes digitais leva o cidadão, temeroso pela sua saúde, a não recorrer as vacinas para sua imunização.
A priori, segundo Michael Foucault, o Governo deve ter a capacidade de controlar os problemas sociais e, nesse caso, proteger e conscientizar os cidadãos. Contudo, a tradicional tendência que os governantes têm em investir nos setores voltados unicamente para o enriquecimento econômico do país propicia a defasagem das atividades primordiais para a homeostase da coletividade: como a saúde e a educação. Por conseguinte, a negligência estadual em provocar uma enfática política de sensibilização combinada a precariedade dos serviços de saúde – caracterizado pelo descaso profissional e distribuição irregular das vacinas em áreas carentes – impede o acesso pleno e hegemônico a uma vacinação de qualidade em território nacional.
A posteriori, sob a ótica frankfurtiana, as mídias provocam um processo de desumanização do homem, na medida em que este é colocado a favor dos interesses de uma mídia capitalista e alienante. Nesse âmbito, é visível perceber que, no intuito de alcançar visibilidade financeira e social empresas digitais disseminam notícias inverídicas além de enganosas sobre os medicamentos como sendo danosos ao organismo dos atores. Dessa forma, a falta de um senso crítico capaz de identificar as falácias disseminadas na internet leva os atores a não se vacinarem, porquanto acreditam no falso potencial destrutivo do mecanismo imuniza tório.
Destarte, para que o aumento de indivíduos imunizados aumente na coletividade, urge que o setor Legislativo propicie a criação de cotas fixas em que parte dos investimentos do tesouro público brasileiro serão redirecionados para a construção de clínicas ambulantes em áreas periféricas e regiões interioranas que forneçam estoque contínuo de vacinas aos habitantes como também palestras periódicas sobre as implicações da imunização na sociedade. Por fim, é mister que as mídias, nos horários de maior audiência transmitam histórias lúdicas animadas explicando os procedimentos que envolvem a composição das vacinas e os efeitos biológicos no organismo dos seres, a fim de sensibilizar o indivíduo mediante a propagação de um conteúdo crítico, imparcial e informativo.