Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 31/10/2019
A questão da vacinação dialoga diretamente tanto com a liberdade individual, quanto com o bem-estar coletivo. Sendo assim, entende-se que a decisão individual de opor-se a vacina deve ser vista como um exercício de seus direitos civis, porém essa escolha possuirá implicações individuais e coletivas. Nesse sentido, como a obrigação da vacinação deve ser desconsiderada, é necessário entender os motivos da adesão à anti-vacina, suas implicações e, por fim, propor medidas que busquem evitar essa escolha.
Antes de tudo, é imprescindível compreender os fatores que potencializam a repulsão à vacina. Com efeito, não se deve inferiorizar os que decidem assim, mas perceber que as principais justificações estão relacionadas a motivos compreensíveis como, por exemplo, a desconfiança no Estado, mentiras espalhadas física ou virtualmente e crenças religiosas. Dessa maneira, obrigá-los a algo que possuem medo e desconhecimento seria inegavelmente desumano.
Contudo, de acordo com o sociólogo Anthony Giddens, toda ação encontra uma consequência na estrutura, isto é, na sociedade. Sob esse viés, nota-se que não se vacinar não somente afeta o próprio indivíduo, mas também intensifica os efeitos prejudiciais relacionados à saúde do corpo social. Desse modo, encontra-se uma clara dicotomia entre as liberdades individuais e o que seria melhor para a sociedade.
Em suma, infere-se que apesar de negar a vacina seja um direito, o indivíduo deve ponderar suas implicações. Portanto, a fim de retirar qualquer desconfiança do cidadão sobre os métodos preventivos, o Estado, através de campanhas publicitárias em meios de comunicação populares, deve fornecer informações claras e objetivas sobre as propriedades e efeitos da vacina. Além disso, com o intuito de combater as ‘‘fake news’’, as quais são invariavelmente prejudiciais à sociedade, esse mesmo agente é responsável por categoricamente legislar e punir aqueles que espalham esses equívocos. Enfim, o foco de solução deve ser a conscientização para que não ocorra um revolta aos moldes da Revolta da Vacina(1904).