Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 31/10/2019
Em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, foi proposta uma lei que definia a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. Porém, como resultado dessa medida surgiu a Revolta da Vacina, movimento social que não concordava com o método preventivo, uma vez que não compreendiam a sua necessidade para a manutenção da saúde coletiva. Desse modo, pode-se associar esse movimento à sociedade contemporânea: o brasileiro cultivou uma descrença no sistema de saúde, sendo gatilho para o cultivo de ideais ignorantes. Diante disso, nota-se que essa problemática está intrinsecamente associada à ineficiência do Estado, seja no sistema de saúde ou educacional, além das ferramentas sociais terem se tornado veículo para de disseminação de desinformação.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o principal empecilho para a vacinação dos brasileiros é a ignorância intelectual. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado tem o dever de velar pela segurança e integridade dos cidadão. Porém, observa-se uma deturpação desse pressuposto: o Estado é ineficiente no que tange a instrução intelectual nas escolas e o sistema de saúde. Assim, por mais que sejam produzidas campanhas de vacinação, elas acabam não sendo eficientes por conta do baixo nível de compreensão da população em relação ao assunto, que sente medo e receio. Fato que comprova isso são pesquisas do Instituto Brasileiro de Pesquisas e Análise de Dados mostram que 55% dos entrevistados têm dúvidas e inseguranças a respeito da vacinação e, assim, apenas se vacinam por se sentirem obrigados.
Vale analisar, ainda, os chamados movimentos antivacinas que são disseminados e discutidos nas redes sociais. Assim, o principal argumento utilizado por essa comunidade é a de que a vacina injeta a doença no corpo do vacinado, o que, pra eles, configura mais risco do que não se imunizar. Porém, o que acontece, na verdade, é a introdução do vírus ou bactéria mortos, para estimular a produção de anticorpos e consequentemente imunizar a pessoa. Logo, movimentos como esse instalam um perigo de novas epidemias e mortes por doenças que não deveriam mais representar risco a sociedade, o que deixa claro a nocividade deles para a saúde pública brasileira.
Diante disso, ao considerar os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para garantir a vacinação dos brasileiros. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde deve promover a melhoria do sistema público de saúde, por meio de investimentos direcionados às unidades básicas e às campanhas de vacinação, com o objetivo de ampliar a cobertura nacional de imunização, garantindo, assim, que todas as comunidades sejam contempladas. Além disso, as prefeituras devem aproximar as famílias e as instituições de saúde por meio de oficinas, a fim de elucidar as massas quanto à vacinação.