Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 01/11/2019

No documentário “A vacina que mudou o mundo”, é retratado como a invenção da vacina da poliomielite transformou o modo como se combate a doença: por meio da prevenção. Apesar dos inúmeros benefícios trazidos por esse método - menores gastos em saúde, menos pessoas infectadas, maior qualidade de vida - presencia-se no Brasil problemas para que o processo de vacinação ocorra da forma devida, o que possibilita, deste modo, a volta de doenças já erradicas e o consequente aumento de gastos de recursos públicos em tratamento de saúde.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sarampo havia sido eliminado do Brasil devido a  alta cobertura vacinal, mas, juntamente com a pólio, difteria e rubéola, voltou a assolar o país. Em 2019, por exemplo, até o mês de junho mais de 1.300 casos já haviam sido registrados no país. Tal dado é alarmante, sobretudo para uma doença que há pouco tempo era considerada erradicada. Percebe-se que essa situação está intimamente relacionada com a queda da vacinação, uma vez que os estados em que o surto está ocorrendo não atingiram a meta de 95% de cobertura da vacina da tríplice viral. Deste modo, com a diminuição de pessoas vacinadas, há o aumento de casos de doença e, consequentemente, os gastos em tratamento também se tornam vultosos.

Se por um lado há falha por parte do governo ao atingir a população-alvo, por outro, cresce a corrente antivacina no país. De acordo com a OMS, a “hesitação em se vacinar” é elencada como uma das maiores ameaças à saúde global e deve ser combatida, dado que essa hesitação geralmente ocorre devido à falta de informação com qualidade. Aliado à isso, ocorre também a disseminação de conteúdo contra a vacinação, sobretudo nas redes sociais e na plataforma do YouTube, onde vídeos com essa temática atingem quase 1 milhão de visualizações. Nota-se que um grande número de pessoas acessam esse tipo de conteúdo e, uma vez que aceitem as opiniões ali presentes, tendem a não se vacinar, tornando a taxa de cobertura vacinal ainda menor.

Evidencia-se, portanto, que, para solucionar os problemas relacionados à queda da vacinação no país, é fundamental a atuação conjunta do estado e da sociedade. Primeiramente, o Ministério da Saúde deve enfrentar a disseminação de opiniões antivacina, por meio de campanhas de impacto, bem como com a divulgação de conteúdo que ponham abaixo os mitos relacionados à vacina, utilizando, principalmente, as redes sociais. Da mesma forma, o Ministério da Saúde em parceria com o da Educação e o do Trabalho, deve promover campanhas de vacinação “in loco”, levando agentes de saúde até as escolas e aos locais de trabalho, para garantir, assim, a cobertura vacinal esperada e evitar o retorno de doenças erradicadas.