Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 02/11/2019

Em 1904, ocorreu no Rio de Janeiro o movimento conhecido como “Revolta da Vacina”, no qual o governo brasileiro impôs sobre a população relutante a obrigação de se imunizarem contra os surtos que ocorriam na capital do Brasil na época. Paralelamente, no século XXI ainda existem diversos impasses para a execução dos projetos de imunização da população brasileira. Dentre os mais graves estão: a negligência do Estado e a má informação da população em relação ao tema.

Nesse contexto, apesar de estar posto na Constituição Federal que a saúde é direito de todos e dever do Estado, pode-se analisar que o mesmo não têm realizado as intervenções necessárias para a execução adequada do decreto. Uma das más indiligências cometidas pelo governo é a má distribuição das doses de vacina em locais de difícil acesso a recursos básicos de saúde, onde há concentração da população leiga no que diz respeito ao assunto. Um grande exemplo desses tipos de locais são as aldeias indígenas nos interiores do Brasil.

Ademais, cada vez mais brasileiros têm aderido aos movimentos anti-intelectuais, oferecendo destaque ao movimento antivacina. É bastante perceptível que essas correntes são baseadas na má-informação e, por muitas vezes, possuem influência derivada da ideologia política adotada por seus aderentes, já que determinadas partidos políticos se contrapõem completamente aos princípios científicos em diversos aspectos. Essa conduta perante o assunto pode ocasionar o reaparecimento de doenças já combatidas, como ocorreu, por exemplo, um surto de sarampo na região Norte do Brasil em 2018, por conta dos baixos índices de população imunizada.

Portanto, para concretizar a execução do papel do Estado nessa situação e amenizar o quadro atual, faz-se necessária a adoção de medidas. Urge que o Ministério da Saúde mapeie os locais remotos e, por meio da utilização de unidades móveis de saúde, realize a aplicação das vacinas, de modo a dar prioridade aos locais mais propícios e às populações mais vulneráveis à contaminação de determinadas doenças. Cabe, também, ao mesmo Ministério, a criação de campanhas publicitárias que divulguem o conhecimento científico que envolve a vacina, dando destaque à sua forma de ação no organismo e a sua importância para a garantia da saúde pública. Essas campanhas devem abranger todas as instituições sociais e educacionais do Brasil, além dos principais meios de comunicação, de modo a conscientizar, principalmente, a parcela em formação da sociedade.